A conquista do tetracampeonato pela seleção, em 1994, recolocou o futebol nacional no topo do mundo
Na última coluna, falei sobre a homenagem dos jogadores que conquistaram o tetra, em 1994, ao eterno campeão das pistas Ayrton Senna. É sempre importante relembrar histórias dessa vitória da seleção que completou três décadas neste ano de 2024. Como qualquer jovem, nascido nos anos 70, eu sonhava em ver ao vivo um título da equipe nacional. Em 1970, na conquista do tricampeonato, a população brasileira era de 90 milhões de habitantes. Já em 1994, 24 anos depois, o número saltou para 160 milhões; ou seja, milhões de torcedores nunca tinham visto a amarelinha no topo do futebol. Além da fila incômoda, foram cinco Copas perdidas e com muitas tristezas e frustrações, como a derrota da inesquecível equipe de Telê Santana, em 1982.
Depois do vexame na Itália, em 1990, quando a seleção ficou em nono lugar, um dos piores desempenhos em Mundiais, era preciso pensar em um plano para acabar com a agonia da torcida. O período de preparação até o torneio nos Estados Unidos foi marcado por muita turbulência. Aquele grupo vencedor é um dos que mais enfrentaram críticas da torcida e da imprensa.
O treinador Carlos Alberto Parreira rebatia diariamente questionamentos e interpelações de que estaria comandando uma equipe burocrática, com pouco brilho e que jogava pelo resultado. Enquanto isso, o supersticioso Zagallo, coordenador técnico de Parreira, fazia a contagem regressiva de quantos jogos faltavam para o título. Apesar das dificuldades, a conquista foi justa e aquele grupo se uniu com o objetivo de recuperar o moral da seleção que tinha perdido os cinco Mundiais anteriores.
Eu jamais me esquecerei daquele domingo, 17 de julho de 1994, quando o Brasil enfrentou a Itália, no Estádio Rose Bowl, em Pasadena, na Califórnia. O país estava na expectativa pelo desempenho de Romário e Bebeto. Entretanto, sem gols no tempo normal e na prorrogação, o tetra veio nos pênaltis: 3 a 2. A cena de Roberto Baggio desolado ao perder a última cobrança marcou para sempre a vida de milhares de torcedores. Para matar um pouco a saudade, ouça os momentos finais da partida na narração de José Silvério. A Jovem Pan estava lá.
Ouça a emocionante disputa por pênaltis na voz de José Silvério
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