João Goulart foi o primeiro presidente a receber em Brasília uma seleção campeã
Depois da conquista do bicampeonato mundial de futebol, em 17 de junho de 1962, com a vitória sobre a Tchecoslováquia por 3 a 1, em Santiago, no Chile, a seleção voltou para casa e foi ovacionada pela torcida. Os brasileiros queriam ver os craques de perto: era o momento de esquecer os problemas do dia a dia e reverenciar os donos do melhor futebol do mundo.
No Rio de Janeiro, o entusiasmo tomou conta das ruas, conforme detalhou O Cruzeiro: “A Av. Rio Branco ganhava bandeiras, corso e samba noite adentro. (…) A explosão de entusiasmo dos cariocas foi expressada por todos os meios. Até imensos balões verdes e amarelos surgiram, ninguém sabe como. E subiram”. O Carnaval de meses antes se repetiu na Cinelândia, na Avenida Rio Branco e no Largo da Carioca. Os torcedores cantavam: “Não tem arroz, não tem feijão, mas mesmo assim o Brasil é campeão./Não tem açúcar, já não tem sal/Mas mesmo assim o Brasil é o maioral”. Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro agora preparavam-se para recepcionar os campeões na segunda-feira, dia 18 de junho.

Pessoas saem às ruas de São Paulo para comemorar o segundo título mundial da Seleção Brasileira (Arquivo/Estadão Conteúdo)
Naquela manhã, a delegação brasileira deixou o Ritz Hotel, em Santiago, e seguiu em direção ao aeroporto Los Cerrillos. Uma multidão de torcedores queria dar adeus aos bicampeões mundiais, que levavam na bagagem a Jules Rimet. “Os habitantes desta cidade já se mostram tristes, pois tinham aprendido a gostar sinceramente dos simpáticos jogadores brasileiros. Em particular, os pequenos torcedores não se conformaram com a saída de seus amigos ‘brasileiros’, pedindo sempre que voltem um dia”, ressaltou a Última Hora.
O DC-8, com o mesmo comandante Guilherme Bungner, que levou os brasileiros na Copa de 1958, partiu do solo chileno em direção a Brasília, primeira parada dos campeões. A capital, inaugurada em 1960, recebeu os atletas. A aeronave pousou por volta de 14h20, e o aeroporto já estava tomado por milhares de torcedores. Os soldados da aeronáutica, que ajudavam no reforço da segurança, não conseguiram conter a multidão e os cordões de isolamento foram rompidos.
O presidente João Goulart saiu da Granja do Torto de helicóptero rumo ao aeroporto. Na chegada, ele subiu as escadas do avião e ficou cerca de meia hora dentro da aeronave. Jango conversou com os campeões e tirou fotos com a Jules Rimet em mãos, ao lado de Mauro (capitão), Bellini e Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação nacional.
O presidente da República saiu da aeronave exibindo a taça mais cobiçada pelos futebolistas do planeta e os torcedores foram ao delírio. Enquanto João Goulart seguia para o Palácio da Alvorada de helicóptero, os jogadores rumaram de ônibus, para a frustração dos torcedores que estavam espalhados pelas ruas de Brasília e esperavam que os atletas desfilassem em carro aberto.
O Eixo Monumental foi tomado e cerca de 6.000 viaturas acompanharam o trajeto do aeroporto até o Alvorada, que demorou cerca de 40 minutos. Foi decretado ponto facultativo em todas as repartições e ministérios naquela segunda-feira. Em um dos carros alegóricos estava escrito em verde e amarelo: “Vavá, Didi, Garrincha, Pelé e JK-65“. No entanto, o golpe militar de abril de 1964 interrompeu os sonhos de Juscelino Kubitschek de concorrer novamente à Presidência da República.
Eram 16h35 quando Jango recepcionou os jogadores e a comissão técnica brasileira. Na biblioteca do Alvorada, Jango bebeu whisky na taça. O presidente discursou: “O governo brasileiro e todo o povo do Brasil recebem entusiasticamente a brava delegação que conquistou o Campeonato Mundial de 1962. Estou emocionado e acredito mesmo que todo o povo brasileiro, desde o mais humilde, vibre como eu nesse momento histórico para a vida de nossa pátria. Quando do embarque da delegação para o Chile, declarei aos correspondentes de nossa equipe que estava confiante na vitória e, conquistada essa vitória, eu me sinto honrado em voltar a abraçar os campeões do mundo.”
[cta-selector name=”model3″ image1=”https://s.jpimg.com.br/wp-content/plugins/CTA-posts-selector/assets/images/640_JPEsportes.jpg” text2=”Siga o canal da Jovem Pan Esportes e receba as principais notícias no seu WhatsApp!” link3=”https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9wMgZD8SE3UbBwem2u” text4=”WhatsApp” icon5=”fa-brands fa-whatsapp” ]
Depois de Brasília, os campeões foram recebidos com festa no Rio de Janeiro e em São Paulo. Um dos mais aplaudidos era Garrincha, eleito o melhor da Copa. Ou como dizia a revista O Mundo Ilustrado: “Mané, o demônio da Copa”.
[jp-related-posts ids=”1996137,1994998″]
Assuntos
continue lendo
Thiago Uberreich
Barbosa, um dos jogadores mais injustiçados do Brasil, foi eternizado em crônica de Nelson Rodrigues
Em 1959, nove anos depois da dolorosa derrota na Copa de 1950, o cronista pernambucano escreveu que o goleiro era eterno
- ‘Narrando meu pai’ conta a história de Pedro Luíz, um dos maiores nomes rádio do país Thiago Uberreich · há 1 dia
- Jogadores que perderam a Copa de 1950 morreram magoados e ressentidos, como Danilo, ‘o príncipe’ Thiago Uberreich · há 2 dias
- Gravação histórica reconta o título do Santos no Campeonato Paulista de 1967 Thiago Uberreich · há 5 dias
- Ouça a íntegra dos jogos da seleção na Copa de 1970 com comentários de Claudio Carsughi Thiago Uberreich · há 6 dias