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Wanderley Nogueira

A queda das gigantes: Brasil, Alemanha e Itália

Estamos diante de uma decadência irreversível ou apenas de uma transição dolorosa?

Wanderley Nogueira

Erling Haaland (9), da Noruega, durante partida com o Brasil válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo disputada em East Rutherford, Nova Jersey, perto de Nova York, nos Estados Unidos, neste domingo, 5 de julho de 2026
Erling Haaland (9), da Noruega, durante partida com o Brasil válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo disputada em East Rutherford, Nova Jersey, perto de Nova York, nos Estados Unidos, neste domingo, 5 de julho de 2026 WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

Os fracassos da Itália, da Alemanha e do Brasil na Copa do Mundo têm algo em comum: são as três seleções mais vitoriosas da história do torneio e, pela primeira vez, nenhuma delas conseguiu chegar às quartas de final.A Itália nem sequer se classificou — terceira vez consecutiva. Juntas, as três somam 13 títulos mundiais.

Desde 1930, nunca havíamos visto uma fase de quartas de final sem ao menos uma dessas potências tradicionais. Este é um marco histórico que sinaliza uma mudança profunda no equilíbrio do futebol mundial.

A grande pergunta que surge agora é: estamos diante de uma decadência irreversível ou apenas de uma transição dolorosa? Curiosamente, os três elencos ainda figuram entre os 10 mais valiosos do planeta. Ou seja, o problema não é (apenas) financeiro ou de talento bruto.O que realmente aconteceu?Há incompetência, sim. Mas ela não explica tudo sozinha. O que vemos é uma combinação de fatores que se acumularam ao longo dos anos.

Brasil: Convocações polêmicas, planejamento deficiente da CBF, troca constante de treinadores (mesmo com Ancelotti o time não deslanchou), dependência excessiva de individualidades e uma grave falta de reposição na base. Resultado: a pior campanha desde 1990.

Alemanha:Após o tetra de 2014, a seleção viveu a perigosa ilusão de que era “eterna”. Reformas mal conduzidas na base, superestimação de uma geração que envelheceu mal e uma eliminação vexatória para o Paraguai nos pênaltis já na primeira fase mata-mata. Infelizmente, repetiu os mesmos erros de 2018 e 2022.
Itália:A Série A perdeu competitividade, o investimento nas categorias de base diminuiu e a federação demonstrou total incapacidade de reconstrução. Três Copas seguidas sem se classificar não é azar — é incompetência institucional pura e simples.

A incompetência acelerou o declínio, mas o declínio já estava em curso há algum tempo. O futebol é implacável com quem dorme no ponto.O que vem pela frente será decisivo. Ou essas seleções entendem que o mundo girou e se reinventam com urgência, ou o vácuo deixado por elas será ocupado definitivamente por novas potências.

Até a próxima!