Convocação: o início da reconquista do torcedor
Chegando a primeira convocação da Seleção num novo ciclo.
Começa agora o caminho pelas eliminatórias rumo ao Mundial de 2030.
Houve um tempo em que a convocação era acontecimento nacional. Não era só lista de nomes. Era ritual.
O país parava para saber quem vestiria a camisa. Mistura de esperança, orgulho e aquele sentimento coletivo de que ‘agora vai’.Outros tempos.
Esse clima foi esfriando. Nos últimos anos, ficou nítido. Não foi um motivo só. Foi o acúmulo.O mais óbvio é o resultado.
Desde 2002 o Brasil não ganha Copa. São 24 anos. E agora a eliminação nas oitavas para a Noruega. Jejum longo assim pesa.
O torcedor passou a vida esperando o hexa como destino, não como possibilidade. Quando a Seleção deixa de ser favorita e vira só uma equipe competente, o encanto coletivo diminui.
Há também o distanciamento. Quase todos jogam na Europa.
A Seleção aparece pouco no Brasil e, quando aparece, nem sempre enche estádio. A identificação enfraquece. A lista vira um recorte do futebol europeu.Soma-se a isso a desconfiança na CBF: décadas de escândalos, instabilidade e a sensação de que a camisa amarela virou produto.
Enquanto isso, o futebol de clube ficou mais perto, mais constante. A Seleção compete com isso e perde espaço. As novas gerações têm outras referências e menos paciência com um time que não entrega o título maior.
Neste momento, o esfriamento fica ainda mais visível. Começa um longo processo de avaliação. O sentimento pela Seleção não morreu. Ficou seletivo.
Ainda explode na Copa. Ainda produz debate. Mas o cotidiano da amarelinha perdeu o protagonismo que tinha.
A relação ficou mais crítica e mais distante. Resta saber se este novo ciclo, com a renovação prometida, reconstruirá o vínculo. Ou se o desamor será revertido.
Um novo processo está começando.
Até a próxima.
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