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Wanderley Nogueira

Uefa rejeita plano de Infantino: “O futebol não é da Fifa para vender”

A entidade europeia emitiu uma declaração oficial dura e sem rodeios, classificando a iniciativa como uma linha que as instituições do futebol jamais deveriam cruzar

Wanderley Nogueira

Infantino
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, concedeu entrevista coletiva em Buenos Aires neste sábado Aitor Pereira/EFE

A principal e mais enfática oposição à ideia de Gianni Infantino de criar a Fifa Forward Enterprise — uma subsidiária comercial avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, que concentraria direitos de transmissão, patrocínios, ingressos e licenciamento dos torneios da FIFA (incluindo a Copa do Mundo) e venderia participações minoritárias e sem controle a investidores privados para captar até US$ 4,2 bilhões — vem da Uefa.

A entidade europeia emitiu uma declaração oficial dura e sem rodeios, classificando a iniciativa como uma linha que as instituições do futebol jamais deveriam cruzar:

“Isso cruza uma linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam cruzar. 

A UEFA leva o assunto extremamente a sério. Assim como deveria fazer cada Associação Nacional de Futebol. Assim como todos os envolvidos: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do jogo.
A alma e a governança do futebol não são ativos para se negociar — especialmente com zero transparência sobre quem lucra financeiramente.
Ninguém de nós é dono do futebol. Não é da FIFA para vender.”
Fontes seniores europeias foram ainda mais contundentes em comentários reservados. Uma figura descreveu o plano como uma “bomba nuclear” para o futebol. 

Outra afirmou que Infantino “definitivamente perdeu a cabeça” e prometeu lutar ferozmente contra a proposta. 

A Uefa já estaria avaliando opções legais.As principais críticas dos opositores incluem:

  • Falta de transparência sobre os investidores e quem realmente se beneficiará (há menções a grupos ligados a Joshua Kushner).
  • Risco de comercialização excessiva ou “privatização” da alma do esporte, mesmo com a FIFA afirmando manter 100% do controle esportivo, regulatório e de governança.
  • Possibilidade de Infantino assumir futuramente um cargo de liderança na nova entidade, com potencial ganho financeiro.
  • Temor de que a estrutura incentive mudanças mais profundas no calendário e no equilíbrio do futebol mundial.
  • Ecos de tentativas anteriores de Infantino que também encontraram forte resistência europeia.

Vale destacar que a oposição vem prioritariamente da UEFA. 

Nem sempre as federações nacionais europeias seguem automaticamente a linha da confederação. 

Além disso, Infantino está prometendo um aumento significativo de recursos (de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões por ciclo, além de capital adicional opcional) para as 211 associações-membro da FIFA — um argumento poderoso que pode pesar na hora da votação.

A notícia é extremamente recente (28 de julho de 2026). A reação pública ainda está concentrada na Uefa e em vozes europeias, mas o resultado final dependerá do apoio da maioria das federações e do Conselho da Fifa.