BC anuncia pacote que pode gerar R$ 212 bi em empréstimos para pequenas e micro empresas
O Banco Central lançou, nesta terça-feira, 23, novos pacotes de medidas que poderão gerar R$ 212 bilhões em novos empréstimos para micro, pequenas e médias empresas durante a pandemia da Covid-19. Essa é mais uma das tentativas do governo de Jair Bolsonaro para destravar os empréstimos neste segmento, já que muitos pequenos e micro empreendedores estão com dificuldades de ter acesso a eles, mesmo com a injeção de liquidez anunciada pelo BC em março.
O presidente da instituição, Roberto Campos Neto, admitiu que a maior parte do crédito concedido no início da crise foi para as grandes empresas. Por isso, deixou claro que as medidas anunciadas hoje serão direcionadas as pequenas e micro empresas. Uma delas autoriza que o saldo das operações de crédito para capital de giro de empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões, contratadas entre 29 de junho e 31 de dezembro, sejam deduzidas do recolhimento compulsório sobre depósitos de poupança, pelo prazo de três anos. O BC estima que esta iniciativa vai liberar R$ 55 bilhões em recursos.
Este recolhimento compulsório é a parcela do valor que é investido pelo cliente em poupança que o banco precisa depositar no BC como forma de um seguro para diminuir a alavancagem, ou seja, que esse dinheiro seja emprestado indiscriminadamente. Para obrigar a aderência dos bancos, a instituição determinou que 30% do saldo do depósito não seja remunerado caso a instituição opte por deixar o recurso no BC.
Bancos que não possuem clientes com esse perfil ou que preferem não correr o risco poderão deduzir as aplicações em Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE) de instituições financeiras pequenas.
Outra medida vai reduzir temporariamente o requerimento de capital, o que vai possibilitar a liberação de R$ 1,3 bilhão, além de um potencial no aumento da capacidade de concessão de crédito de até R$ 16,5 bilhões.
No último dia 16, a Caixa Econômica Federal anunciou uma nova linha de empréstimos de R$ 3 bilhões a micro e pequenas empresas, que poderá ser ampliada caso haja demanda, conforme o presidente da instituição, Pedro Guimarães.
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