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Aluno de hoje quer aprender do seu jeito’, diz CEO do IPOG sobre nova geração

CEO da instituição afirma que estudantes mais jovens chegam mais exigentes, acostumados a consumir conteúdo sob demanda e menos tolerantes a formatos engessados

Luciene de Oliveira

Sala de aula
Sala de aula Sam Balye/Unsplash

Em entrevista à Jovem Pan Business, o CEO do IPOG, Ronan Maia, afirmou que o perfil do aluno mudou de forma significativa nos últimos anos e que as instituições de ensino precisam se adaptar a um público mais crítico, mais digital e menos disposto a seguir trilhas de aprendizado padronizadas.

Segundo o executivo, a geração mais jovem chega às salas de aula já habituada ao uso intenso de tecnologia e, por isso, espera da faculdade ou da pós-graduação uma experiência parecida com a que já vive fora dela. “Ele quer acessar na hora que ele quer, ele quer poder interagir com o problema dele pelo celular dele”, disse.

Essa expectativa, segundo Ronan, nasce do próprio comportamento de consumo. Ele lembrou que boa parte do público hoje aprende também fora dos ambientes tradicionais de ensino, citando o YouTube como exemplo de canal que rivaliza com a sala de aula. Para o CEO, a tecnologia abriu espaço para novos formatos e novos entrantes no que ele chama de educação clássica, e cabe às instituições acompanhar esse movimento sem deixar o aluno frustrado.

O executivo destacou ainda que o público das instituições de ensino deixou de ser uniforme. Ao lado dos alunos mais jovens, cresce o número de profissionais que buscam uma segunda ou terceira formação, seja para mudar de carreira, seja para se aprofundar em um tema específico. “A gente tem aqui um pessoal, uma geração mais nova, mas tem pessoas que estão na sua segunda ou terceira formação, mudando de carreira”, afirmou.

Diante dessa diversidade, Ronan disse que o desafio das instituições é oferecer alternativas em vez de uma trilha única e pré-determinada. Cursos de curta duração, formações completas e capacitações pontuais para temas emergentes, como inteligência artificial, passaram a conviver lado a lado dentro da mesma oferta.

Para o professor titular da FAPCOM, João Elias Nery, que atua há 35 anos no ensino superior em São Paulo, a mudança de perfil vai além do comportamento digital e passa também por quem ocupa as salas de aula hoje. “Há mais mulheres, mais diversidade étnico-racial e maior foco na formação profissional”, afirma.

Segundo o professor, isso reflete transformações estruturais da própria sociedade brasileira, cada vez mais conectada às inovações e ao futuro. “Estudantes fazem parte desse processo e buscam no ensino superior respostas às suas muitas dúvidas quanto aos caminhos a seguir”.

“Na pressa contemporânea, estamos todos pressionados por respostas rápidas e eficazes, o que aumenta o estresse e prejudica o aprendizado. A questão central é conectar as modalidades de ensino ao cenário humano e tecnológico em curso”, conclui Nery, que também é doutor em comunicação.

Modelo tradicional perde protagonismo

Para o Ronan, o modelo tradicional de ensino, em que o professor fala à frente da sala e o aluno segue um roteiro fixo, já não responde mais sozinho às expectativas desse público. Ele associa a mudança ao fim do que chamou de “romantismo do diploma”, quando o objetivo do estudante era apenas concluir o curso e pendurar o certificado na parede.

Hoje, segundo ele, o aluno busca ascensão social, promoção e propósito profissional, não apenas o documento formal. Essa mudança de expectativa, avalia o executivo, exige que a instituição conecte a formação a resultados concretos na carreira do aluno, sob risco de gerar frustração e evasão.

O crescimento do ensino a distância também entrou nesse contexto. Ronan citou dados segundo os quais o número de matriculados no ensino superior brasileiro saltou de pouco mais de 1 milhão para 10 milhões em três décadas, período em que a modalidade EAD se expandiu com o apoio de políticas públicas de acesso. Ainda assim, ele pondera que a proporção de jovens de 24 a 35 anos com ensino superior no país, de 24%, segue abaixo da média mundial.

A cobrança por atualização também recaiu sobre os próprios colaboradores do IPOG. Segundo o CEO, a instituição treinou mais de 500 funcionários e 400 professores em um programa de letramento digital voltado ao uso de inteligência artificial, antes de levar esse conhecimento ao mercado corporativo. “Eu tive que fazer aqui primeiro para poder depois mostrar para as empresas que eu já estava habilitado para ajudar elas também”, disse.

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