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Negócios

Startup potiguar recebe aporte de R$5 milhões e chega a R$50 milhões de valor de mercado

Fundador da Kaizen Mentoria diz que aporte vai bancar crescimento 'sem virar plataforma'

Luciene de Oliveira

Startup potiguar recebe aporte de R$5 milhões e chega a R$50 milhões de valor de mercado
startup de educação do RN Banco de Imagens

Uma startup de educação criada no Rio Grande do Norte recebeu um aporte de R$5 milhões para ampliar sua atuação no mercado brasileiro. A Kaizen Mentoria, incubada no Parque Tecnológico Metrópole Digital, ligado ao Instituto Metrópole Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é avaliada em mais de R$50 milhões e atende mais de 700 estudantes em diferentes estados. O investimento foi feito pela gestora Mercurial Atlantic Investments.

Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de tecnologia própria, à ampliação da equipe e ao fortalecimento da operação. Para Victor Cornetta, fundador da Kaizen Mentoria, o desafio agora é crescer sem descaracterizar o modelo que a startup sempre resistiu a transformar em plataforma. “Esse dinheiro é para escalar sem virar isso”, diz o fundador. A Kaizen foi criada em 2020 e atende estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio.

A captação ocorre em um mercado no qual o acesso a capital ainda é um dos principais obstáculos para o crescimento. Um levantamento da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), divulgado em julho de 2026, analisou 368 edtechs brasileiras. Segundo o estudo, 66,3% nunca receberam investimento e apenas 15,7% chegaram ao estágio de expansão.

O levantamento indica ainda que 44,6% das empresas existem há mais de cinco anos. Mesmo assim, 51,4% têm até cinco funcionários e apenas 0,8% ultrapassaram a marca de 100 colaboradores. O retrato aponta para um setor com negócios que conseguem se manter em operação, mas encontram mais dificuldade quando precisam financiar uma estrutura maior.

A Kaizen chega a essa etapa depois de ampliar a base de alunos e avançar na presença fora do estado potiguar. A nova rodada será usada para aumentar a capacidade de atendimento e desenvolver a plataforma tecnológica da marca.

O modelo da startup combina planejamento individual, definição de metas e acompanhamento do desempenho. A proposta é adaptar a rotina de estudos às características de cada aluno, com ajustes a partir dos resultados obtidos. Segundo a empresa, a metodologia integra conhecimentos de engenharia e pedagogia.

“Quanto mais fácil é ter uma resposta pronta, mais importante ter alguém acompanhando se o aluno está aprendendo ou só copiando”, avalia Cornetta. Uma pesquisa da Opera realizada com mais de 2.400 alunos brasileiros entre abril e junho de 2026 mostra que 71% consideram que a IA ajuda na compreensão dos conteúdos ou que seus efeitos dependem da maneira como é utilizada. Apenas 5% receberam orientação formal de suas instituições sobre o uso da ferramenta, enquanto 40% nunca receberam qualquer orientação.

O uso da tecnologia já está incorporado às atividades escolares. Segundo a análise, 17% dos estudantes dizem recorrer frequentemente à IA para produzir a maior parte de um trabalho, enquanto 31% utilizam a ferramenta como ponto de partida e fazem adaptações antes da entrega. Outros 22% afirmam não usar IA na produção dos trabalhos. Apenas 20% dizem estudar em instituições que têm políticas claras sobre o uso da tecnologia.

O resultado coloca uma questão nova para o setor educacional: como incorporar ferramentas capazes de produzir respostas em segundos sem reduzir o processo de aprendizagem à obtenção dessas respostas. A própria pesquisa aponta que os estudantes querem compreender melhor as informações e saber como chegar às conclusões apresentadas pela tecnologia.

O debate também avançou na esfera pública. Em 2026, o Ministério da Educação criou um Sandbox Regulatório para testar soluções de inteligência artificial aplicadas à educação em ambiente controlado. A iniciativa prevê avaliação de riscos, proteção de dados e supervisão humana antes da adoção de novas tecnologias em maior escala.

Para empresas do setor, a mudança abre espaço para produtos que combinem tecnologia e orientação. O desafio deixa de ser apenas disponibilizar conteúdo e passa a incluir organização da rotina, acompanhamento do desempenho e desenvolvimento da autonomia do estudante.

É nesse segmento que a Kaizen atua. A tecnologia é usada como parte da estrutura de planejamento e acompanhamento, enquanto a mentoria concentra a orientação individual. Segundo a empresa, o objetivo é ensinar o aluno a estudar e ajudar a desenvolver autonomia, a partir do planejamento da rotina e do ensino de métodos eficazes de aprendizagem.

O aporte acontece em uma fase de profissionalização do mercado de edtechs. O levantamento da Abstartups e da USP mostra que 59,7% das empresas analisadas já fizeram alguma mudança estratégica relevante em seus negócios, enquanto a maior parte segue com equipes enxutas.

Para a Kaizen, o próximo movimento será transformar a estrutura construída até agora em uma operação maior. A companhia pretende ampliar a base de alunos, consolidar sua presença nacional e avançar no desenvolvimento da plataforma própria. No médio prazo, a empresa prevê iniciar uma expansão internacional.

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