Egito tenta digerir nova tragédia por choques entre torcedores e polícia
Cairo, 9 fev (EFE).- O Egito tenta nesta segunda-feira digerir uma nova tragédia que causou a morte de 20 pessoas após os confrontos de domingo entre torcedores radicais de duas equipes de futebol e forças de segurança na capital Cairo.
A promotoria ordenou uma investigação sobre os distúrbios, que ocorreram nos arredores do estádio da Defesa Aérea antes que os clubes Zamalek e ENPPI disputassem uma partida pela primeira divisão nacional, que por fim aconteceu e terminou com empate de 1 a 1.
Fontes do Ministério da Saúde informaram sobre a morte de 19 pessoas nos enfrentamentos, e o Ministério Público cifrou em 22 o número de mortes.
Segundo o Ministério do Interior, a polícia teve que intervir para evitar danos na propriedade pública depois que torcedores de ambas as equipes queimaram veículos oficiais e tentaram invadir o estádio, já que não contavam com ingressos, limitados para apenas 10 mil pessoas.
Por sua vez, o grupo dos “cavaleiros brancos”, como são conhecidos os radicais do Zamalek, denunciou que as autoridades cercaram os acessos ao estádio e lançaram gás lacrimogêneo causando desmaios e sintomas de asfixia entre os torcedores.
Alguns torcedores também acusaram o presidente desse clube, o polêmico Mortada Mansur, de ter prometido ingressos gratuitos, e este, por sua vez, responsabilizou a Irmandade Muçulmana – considerada um grupo terrorista pelas autoridades – de tentar desestabilizar o país.
Diante da diversidade de versões, o presidente egípcio, Abdelfatah al Sisi, pediu uma investigação completa das circunstâncias nas quais os fatos ocorreram.
Além de lamentar as mortes por esses “desafortunados fatos”, Sisi pediu que sejam tomadas todas as medidas necessárias para que esse tipo de episódio não se repita.
Na necrotério de Zinhom, no sudeste da capital, torcedores de futebol se concentraram hoje em solidariedade aos mortos, que em sua maioria supostamente apoiavam o clube cairota Zamalek.
Uma vizinha de vários torcedores que morreram nos distúrbios foi ao local para buscar seus corpos e, em declarações à Agência Efe, responsabilizou o Ministério do Interior pelo ocorrido.
Os excessos policiais no país vêm sendo denunciados por grupos de ativistas de direitos humanos há anos, seja por sua atuação em manifestações políticas ou no tratamento que dão aos presos, entre outros.
Os choques entre radicais e forças de segurança também não são novos, já que frequentemente são registrados incidentes em um ambiente de crescente animosidade entre as partes no Egito.
No entanto, é preciso voltar a fevereiro de 2012 para lembrar distúrbios tão graves como os de ontem.
Em 2012, 74 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em enfrentamentos pouco esclarecidos no estádio de Port Said entre os seguidores do clube local e do cairota Al Ahly, o que levou as autoridades a proibir a entrada de público nos estádios.
O atual técnico do Al Ahly (equipe mais popular do Egito e rival do Zamalek), Juan Carlos Garrido, afirmou hoje à Efe que as mortes de ontem são um “duro golpe que atenta contra a normalidade” que é vivida no futebol egípcio.
É preciso “tentar organizar as coisas para que (o futebol) se desenvolva com normalidade” no futuro, sustentou Garrido, que ainda não conseguiu explicar como ocorreu tal tragédia.
Os fatos ocorreram quando as autoridades tinham começado a permitir certa afluência de torcedores nos estádios, mas estes últimos distúrbios obrigaram a Federação Egípcia de Futebol a adiar de forma provisória o campeonato nacional em sinal de luto e voltar a proibir o público nas partidos a fim de evitar a violência. EFE
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