CBF decide manter futebol mesmo com pandemia no auge: ‘É seguro e controlado’

Segundo o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, a volta das competições provou que o esporte é ‘responsável e tem todas as condições de continuar’

  • Por Jovem Pan
  • 10/03/2021 11h53 - Atualizado em 10/03/2021 15h27
Reproduçào/CBFO secretário Geral da Confederação Brasileira de Futebol, Walter Feldman, durante a coletiva de imprensa

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou nesta quarta-feira, 10, o relatório operacional da Comissão Médica Especial sobre a situação das competições de futebol em meio à pandemia do coronavírus no país. “A aplicação do protocolo sanitário, com a convicção ainda mais forte, que nós já tínhamos no ponto de vista teórico, em agosto, quando retomamos. Mas agora com convicção da sua aplicação na prática de que o futebol é seguro, controlado, responsável e tem todas as condições de continuar”, afirmou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. O médico Jorge Pagura falou em seguida. “Tentamos unir aquilo que estamos acostumados a fazer: preservar a saúde de qualquer maneira e tentar elaborar um protocolo, que preenchesse alguns preceitos. Segurança de todos, controlabilidade e manutenção de atividade”, disse Pagura.

Pagura explicou que a CBF criou uma comissão científica para confeccionar o protocolo e acompanhar sua aplicação. Segundo o médico, o grupo se reune semanalmente, de duas a três vezes. O relatório apresentado visava mostrar “evidências do retorno seguro das competições de futebol no Brasil organizadas pela CBF”. Segundo Pagura, foi a maior estudo sobre futebol durante a pandemia do mundo. Os pilares do protocolo foram a realização de inquéritos epidemiológicos e exames de RT-PCR, afastamento de casos positivos e liberação dos contatos. “O futebol é um instrumento muito grande da divulgação dessas medidas [de prevenção ao coronavírus]”, afirmou Pagura.

Em 2020, foram cerca de 2.423 partidas no país. De acordo com o relatório, foram checados 116.959 inquéritos sorológicos enviados pelos clubes. Foram cerca de 89.052 testes realizados. Entre esses, a taxa de positividade foi de 2,2% para Covid-19. “Nenhum jogador entrou em campo sem estar testado, sem ter seu inquérito analisado”, assegurou Pagura. A comissão afirmou não encontrar evidências de contaminação cruzada no campo. “Em 67 interações em que havia pelo menos três jogadores que foram retirados e a gente acompanhou nos próximos 14 dias, não houve nenhum caso positivo entre os adversários. Isso é uma evidência”, explicou.

O médico citou o caso do jogador Valdívia, do Avaí, que foi comunicado durante a partida que havia testado positivo e foi retirado do campo em seguida. “Entre os 17 testes realizados com o time CCA, adversário do Avaí, feitos três dias depois da partida, nenhum foi positivo. Dos 18 testes realizados seis dias depois, nenhum foi positivo. Em 13 dias depois, foram realizados outros 18 testes e nenhum foi positivo”, apontou Bráulio Couto, doutor em bioinformática. Conforme Couto explicou, a taxa de transmissão comunitária é independente da positividade nos times. “Em suma,  o que ocorre na comunidade não aumenta nem diminui a positividade do time. Em suma, o que provoca essa positividade é a quebra de protocolo e o comportamento social inadequado dos atletas”. “Existem evidências suficientes de que, o protocolo sendo observado, ele é seguro e a prática do futebol é segura dentro desse contexto”, afirmou Carlos Starling, infectologista.

“A CBF protegeu e cuidou dos jogadores. Não só isso, ela protegeu quando foi buscar o positivo e tirar ele de circulação. Não só do futebol, mas das atividades do dia a dia. Vocês sabem que nada é restrito a uma situação só. E isso pode realmente ser aplicado para a manutenção de algumas atividades. Eu tenho absoluta convicção, com todos os meus pares, que, seguindo as medidas, posso afirmar que o futebol mostrou-se uma atividade responsável e segura”, finalizou Pagura.

Mudanças para 2021

  • Testes RT-PCR em média 72 horas antes de cada partida para atletas e extensivo à comissão técnica no campo do jogo.
  • Testes RT-PCR após 72 horas do retorno da delegação nas rodadas como visitantes, se o intervalo para a partida seguinte exceder cinco dias.
  • Notificação compulsória dos casos positivos à Comissão Médica Especial da CBF – obrigatória para análise de liberação do isolamento respiratório.