Cruzeiro diz que saída de Fábio faz parte da reestruturação do clube e cita ‘responsabilidade econômica’

‘Muitas decisões não são populares mas precisam ser adotadas’, diz um trecho do comunicado feito pela diretoria cruzeirense

  • Por Jovem Pan
  • 06/01/2022 11h05
RONALD FELIPE/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO Fábio deixou o Cruzeiro após 17 anos e quase mil jogos pelo clube Fábio deixou o Cruzeiro após 17 anos e quase mil jogos pelo clube

A diretoria do Cruzeiro, agora liderada por Ronaldo Fenômeno, foi muito criticada na noite da última quarta-feira, 5, após anunciar que não chegou a um acordo para a prorrogação do contrato do goleiro Fábio, responsável por defender a meta do clube nos últimos 17 anos. Em nota emitida na manhã desta quinta, a cúpula cruzeirense afirmou que a saída do arqueiro, que somou 973 jogos pela Raposa, faz parte da reestruturação do clube, que está atolado em uma grave crise financeira. “É fundamental lembrarmos que o Cruzeiro tem um desafio imenso de reorganização que precisa ser planejada e executada considerando a sobrevivência da entidade. Nesse sentido, a reestruturação precisa ocorrer em diversos campos: financeiro, organizacional, administrativo e, claro, esportivo. Muitas decisões não são populares mas precisam ser adotadas”, diz um trecho do comunicado.

“O projeto esportivo que vem sendo implantado considera critérios técnicos e a constituição de um plano de longo prazo para a instituição. As decisões no Departamento de Futebol visam a construção de uma equipe competitiva, sustentável e que esteja a altura da grandeza do clube. Foi exatamente um projeto nessas condições que foi apresentado ao goleiro de 41 anos, que o negou. A proposta respeitava também a imprescindível responsabilidade econômica da entidade. Necessário ressaltar que, ainda assim, sendo Fábio o ídolo que é, um importante sacrifício econômico foi feito. Foi oferecido ao jogador um contrato que certamente extrapolava o razoável para um clube publicamente deficitário. Os termos desta proposta não foram aceitos pelo atleta e seu agente”, continua a Raposa.

Na última quarta-feira, Fábio escreveu uma carta à torcida cruzeirense, lamentando o fato de não continuar no clube. No texto, o goleiro de 41 anos alega que a diretoria aceitou prolongar o seu vínculo somente até o fim do Campeonato Mineiro, enquanto ele desejava disputar a Série B do Campeonato Brasileiro mais uma vez. A informação foi confirmada pela cúpula cruzeirense. “O Cruzeiro, desde o início e com enorme respeito, deixou claro que a proposta respeitava sua relevância e admirável história de 18 anos no clube. Fundamental esclarecer que o desejo do Cruzeiro era de ampliação de vínculo, embora não pelo mesmo prazo desejado pelo atleta.”

Apesar disso, Fábio afirmou que os diretores do Cruzeiro sequer aceitaram a redução salarial. “Com coração apertado, com lágrimas e dor, eu preciso aceitar que não contam comigo no clube”, escreveu o veterano. “Quero deixar claro que aceitaria a readequação ao novo teto salarial, mas essa nova administração também não me deu essa opção. Mostrei total disponibilidade em negociar o débito dos anos anteriores, mas, infelizmente, não fui ouvido”, ressaltou o ídolo da torcida, que foi apoiado por muitos torcedores nas redes sociais.

Confira a nota do Cruzeiro na íntegra:

O Cruzeiro esclarece à sua torcida pontos importantes sobre a não renovação do goleiro Fábio. É fundamental lembrarmos que o Cruzeiro tem um desafio imenso de reorganização que precisa ser planejada e executada considerando a sobrevivência da entidade. Nesse sentido, a reestruturação precisa ocorrer em diversos campos: financeiro, organizacional, administrativo e, claro, esportivo. Muitas decisões não são populares mas precisam ser adotadas.

O projeto esportivo que vem sendo implantado considera critérios técnicos e a constituição de um plano de longo prazo para a instituição. As decisões no Departamento de Futebol visam a construção de uma equipe competitiva, sustentável e que esteja a altura da grandeza do clube. Foi exatamente um projeto nessas condições que foi apresentado ao goleiro de 41 anos, que o negou.

A proposta respeitava também a imprescindível responsabilidade econômica da entidade. Necessário ressaltar que, ainda assim, sendo Fábio o ídolo que é, um importante sacrifício econômico foi feito. Foi oferecido ao jogador um contrato que certamente extrapolava o razoável para um clube publicamente deficitário. Os termos desta proposta não foram aceitos pelo atleta e seu agente.

O Cruzeiro, desde o início e com enorme respeito, deixou claro que a proposta respeitava sua relevância e admirável história de 18 anos no clube. Fundamental esclarecer que o desejo do Cruzeiro era de ampliação de vínculo, embora não pelo mesmo prazo desejado pelo atleta. A proposta era de que Fábio pudesse, em campo, ao longo do Campeonato Mineiro, se despedir da torcida como ele e a própria torcida merecem. Inclusive, o Cruzeiro segue aberto para que inúmeras homenagens extracampo aconteçam.

Não é mais possível aceitar um perfil de administração que fez tantos clubes chegarem a um cenário de inviabilidade. O Cruzeiro tem clareza de que não há outra forma de manter a história de um dos maiores clubes de futebol do mundo que não seja com uma gestão responsável, com colaboradores e atletas que estejam plenamente alinhados a esse pensamento.