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Donald Trump vai na contramão de Ronald Reagan

Se o presidente dos EUA não estiver blefando, significa que um iPhone que custava US$ 1.000 vai passar a custar US$ 2.000; o problema é que essas mercadorias são consumidas em larga escala pelos americanos

Felipe Cerqueira

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no último dia da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em National Harbor, Maryland
Last day of the Conservative Political Action Conference (CPAC) SAMUEL CORUM/EFE/EPA

Após Trump anunciar tarifas protecionistas contra a China, o gigante asiático informou por meio do Global Times – imprensa de Pequim para passar o recado para o resto do mundo – que vai retaliar, aumentando as taxas contra os EUA. Logo em seguida, Trump disse que iria taxar os produtos chineses em 104%, como reação à medida de Pequim.

Se Trump não estiver blefando, significa que um iPhone que custava US$ 1.000 vai passar a custar aproximadamente US$ 2.000. Não só o celular, mas vários produtos que hoje os EUA importam da China – de vestuários a eletrônicos – vão subir substancialmente de preço. E o problema é que essas mercadorias são consumidas em larga escala pelos americanos. 

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Por conta do elevado efeito inflacionário para o consumidor, acredito que Trump só esteja blefando, bem ao seu estilo de negociação. Entretanto, me parece que o presidente americano realmente acredita que mais protecionismo possa reindustrializar os EUA e melhorar o déficit em transações correntes. Porém, é bem questionável se medidas protecionistas vão trazer de volta empresas para os EUA e melhorar o déficit em transações correntes.

É perfeitamente possível existir um mundo livre de tarifas e, ainda sim, um país ter déficit; enquanto o outro, não. Já a migração de indústrias depende de muitas variáveis (custos de produção, logística, produtividade da mão de obra), que vão muita além de barreiras protecionistas. Por ora, Trump revoga a ordem econômica, incentivada por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, que trouxe elevação do padrão de vida dos americanos. O presidente americano pode estar dando um tiro no pé.

 

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