EUA dizem ser ‘absurda’ hipótese do Itamaraty de ação militar no Brasil por causa de PCC e CV
Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos disse nesta terça-feira (7) ser “absurda” a indicação feita pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil a risco de ação militar norte-americana em território brasileiro. Em nota enviada à Jovem Pan, o representante do órgão afirmou que a Casa Branca tem “tomado medidas decisivas conforme suas próprias prerrogativas soberanas para combater narcoterroristas”.
Em ofício enviado à Câmara dos Deputados em 1º de julho, o Itamaraty reconheceu que a decisão dos Estados Unidos em classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode resultar em ações contra o Brasil, especialmente no âmbito financeiro, migratório e penal.
Em resposta a pedido de informação solicitado pela Câmara, o texto assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, diz também: “Há, ademais, risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”.
Já o porta-voz do Departamento de Estado afirmou que as facções brasileiras operam nos Estados Unidos e a medida é uma forma de defender a população norte-americana das duas organizações criminosas. “Alegações vagas de intervenção são frequentemente um pretexto para auxiliar e acobertar alguns dos grupos mais violentos do mundo”, disse o representante do órgão.
Desde 1º de julho, passou a valer a classificação do PCC e do CV como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês). Com o enquadramento, as autoridades norte-americanas podem aplicar medidas econômicas contra grupos ou indivíduos.
Ao anunciar a classificação, em 28 de maio, o Departamento de Estado indicou também a pretensão de enquadrar ambos os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês), o que resultaria em punições mais severas.
No documento enviado à Câmara, o Itamaraty disse que a decisão dos Estados Unidos sobre as facções é um “ato unilateral”. O ministério também expôs que o governo brasileiro tem manifestado a sua oposição à classificação.
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