JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Os Pingos nos Is | 18h00 - 20h15
Mundo

Impunidade após mortes de jornalistas aumenta pela 1ª vez desde 2012, diz Unesco

Índice, que abrange os homicídios cujas investigações não foram concluídas ou continuam em curso, registrava queda desde 2012, caindo do nível recorde de 95% para 85% em 2024

AFP

Pessoas enlutadas se reúnem ao redor do corpo do correspondente da Al Jazeera, Mohammed Qreiqeh, enquanto se preparam para o seu velório no Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza, em 11 de agosto de 2025. A emissora catariana Al Jazeera afirmou em 11 de agosto que cinco de seus jornalistas foram mortos em um ataque israelense
Pessoas enlutadas se reúnem ao redor do corpo do correspondente da Al Jazeera, Mohammed Qreiqeh, enquanto se preparam para o seu velório no Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza, em 11 de agosto de 2025. A emissora catariana Al Jazeera afirmou em 11 de agosto que cinco de seus jornalistas foram mortos em um ataque israelense. MAJDI FATHI / NurPhoto via AFP

A impunidade nos assassinatos de jornalistas aumentou pela primeira vez desde 2012, alertou a Unesco em um relatório publicado nesta segunda-feira (2), por ocasião do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas.

Neste ano, “a taxa global de impunidade pelos assassinatos de jornalistas aumentou um ponto percentual, a 86%”, aponta o relatório, o que significa que seis em cada sete autores dos crimes escapam da Justiça.

O índice, que abrange os homicídios cujas investigações não foram concluídas ou continuam em curso, registrava queda desde 2012, caindo do nível recorde de 95% para 85% em 2024.

“As investigações e os processos judiciais relacionados aos assassinatos de jornalistas em zonas de guerra continuam particularmente insuficientes”, destacou Mariya Gabriel, vice-diretora-geral de Comunicação e Informação da Unesco.

Embora esta agência das Nações Unidas “não seja um tribunal de justiça”, Mariya destacou que a Unesco exerce “pressão para que se faça justiça”.

O relatório, publicado a cada dois anos, contabilizou o assassinato de 189 jornalistas, profissionais da imprensa e criadores de conteúdo responsáveis por atividades jornalísticas em 2024 e 2025, incluindo 14 mulheres.

Trata-se do biênio mais letal para os jornalistas na última década. Dois terços deles (67%) foram assassinados em zonas de conflito, como os Territórios Palestinos, o Iêmen ou a Ucrânia.

“Isto representa uma mudança importante no panorama mundial dos riscos para os jornalistas”, declarou Mariya Gabriel.

A Unesco também destaca o uso cada vez maior de “veículos aéreos não tripulados ou drones”, responsáveis por 26% dos homicídios em 2024 e 2025.

Além disso, insiste que os jornalistas continuam sendo assassinados em suas casas ou vestindo um colete que identifica sua profissão.

“O Estado da Palestina voltou a registrar o maior número de casos em 2025, com pelo menos 32 homicídios”, afirma o relatório.

No total, 1.641 jornalistas foram assassinados no mundo desde 2006, data em que a Unesco iniciou o registro. Isto representa, em média, uma morte a cada quatro dias.

Alguns números apresentados neste relatório diferem dos publicados pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas ou pela ONG Repórteres Sem Fronteiras.

A Unesco justificou as diferenças pelas “circunstâncias de um óbito, que às vezes são difíceis de avaliar devido à constante evolução dos conflitos”.

Assuntos

continue lendo