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Israel critica Nobel da Paz a Navi Pillay e acusa comitê de legitimar ódio contra o país

Jurista sul-africana presidiu comissão da ONU que concluiu que israelenses cometeram genocídio na Faixa de Gaza

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Israel critica Nobel da Paz a Navi Pillay e acusa comitê de legitimar ódio contra o país
A advogada sul-africana e defensora do direito internacional, Navi Pillay, discursa para jornalistas após receber o Prêmio Nobel da Paz de 2026 Foto por FRANK BOXLER / AFP

O governo de Israel criticou nesta sexta-feira (9) a decisão do Comitê Norueguês do Nobel de conceder o Prêmio Nobel da Paz de 2026 à jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores israelense acusou a organização responsável pela premiação de legitimar o que classificou como “ódio e preconceito anti-Israel”.

A crítica oficial foi realizada após o anúncio da escolha de Pillay, que presidiu uma comissão internacional independente de investigação criada pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Em setembro de 2025, o grupo concluiu que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza, acusação rejeitada pelo governo israelense.

“Se houvesse um prêmio para mentiras, ódio e libelos sanguíneos, Navi Pillay não seria apenas uma concorrente. Ela seria uma das principais favoritas”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel.

“Conceder o Prêmio Nobel da Paz a Pillay não é um reconhecimento da justiça. É a grotesca instrumentalização de um prêmio para legitimar o ódio e o preconceito anti-Israel”, acrescentou a pasta.

A conclusão da comissão presidida pela jurista foi apresentada em relatório sobre a atuação israelense durante a guerra em Gaza, iniciada após os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. O documento atribuiu ao governo israelense responsabilidade por atos classificados como genocidas. A avaliação da comissão não equivale a uma sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ).

Defesa do direito internacional

O Prêmio Nobel da Paz foi anunciado em Oslo, na Noruega. Segundo o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, Pillay foi escolhida “por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”.

Durante o anúncio, Frydnes afirmou que a escolha da jurista representava “uma mensagem àqueles que estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional”. A declaração foi interpretada como uma referência indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora o dirigente não o tenha mencionado nominalmente.

Pillay afirmou ter ficado surpresa com a premiação e defendeu a importância dos direitos humanos. Em sua primeira manifestação após o anúncio, também fez uma brincadeira sobre a possibilidade de dividir o prêmio com Trump.

A sul-africana é a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, segundo os dados divulgados pelo comitê. Além da medalha, receberá 12 milhões de coroas suecas, aproximadamente R$ 6 milhões.

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