Militares ucranianos apoiam a legalização da cannabis medicinal para feridos e veteranos
Um grupo de militares da Ucrânia pediu ao Parlamento do país que legalize o uso medicinal da cannabis, destinado aos feridos no front e a veteranos, com a expectativa de que seja votada uma lei que o aprove, com o apoio do presidente do país, Volodymyr Zelensky, após várias tentativas frustradas. “Lamentavelmente, por causa da invasão russa, cerca de 4 milhões de pessoas mais irão precisar de ajuda médica baseada na cannabis medicinal, cujo uso é proibido atualmente na Ucrânia, além dos dois milhões que sofrem de doenças oncológicas e outras graves”, disse Inna Ivanenko, diretora-executiva da ONG Pacientes da Ucrânia. Os militares realizaram evento que contou com a participação de integrantes na ativa do exército, que explicaram as razões para defender a legalização da cannabis medicinal na Ucrânia, que se juntaria aos mais de 50 países que já regulamentaram o uso. “É absurdo que ainda não se tenha acesso à cannabis medicinal, que não tem efeitos narcóticos e poderia me ajudar a aliviar a dor incapacitante”, disse Olexandr Yabchanka, ex-assessor do Ministério da Saúde da Ucrânia e médico militar.
Yabchanka relatou que sofre com dores constantes, após sofrer um ferimento, relativamente, de menor gravidade há mais de um mês. Isso o impede de executar suas tarefas como soldado, reduz sua qualidade de vida e não pode ser aliviada com outros medicamentos. “Ainda assim, minha dor não é nada em comparação com a de quem amputou membros ou sofreu ferimentos graves”, disse Yabchanka. O soldado de brigada Mykhailo Bakaliuk, que perdeu a perna devido à explosão de uma mina terrestre, compartilhou no Facebook o relato de sua situação atual. “Tenho terríveis dores físicas e fantasmas (após a amputação de um membro). O uso de analgésicos não as elimina, apenas ameniza durante pouco tempo”, postou no Facebook o militar. O soldado da brigada 47 do exército ucraniano argumentou que o uso da cannabis medicinal como analgésico reduziria de maneira significativa a sensação de dor e reduziria o efeito destrutivo sobre todo seu organismo.
Além de aliviar as dores físicas, o acesso legal à cannabis também ajudaria a lidar com o transtorno de estresse pós-traumático que tem quem tenta voltar à vida civil, quem vive o horror da guerra por testemunhá-la, dizem os militares. “Os psicólogos, que têm que dar suporte a soldados com estresse, estão fracassando. Sem alternativas, como a cannabis medicinal, muitos buscam a outra mais fácil e mais destrutiva, o álcool”, lamentou Igor Kholodylo, que é militar e psicólogo. Vyacheslav Zhukov, um dos coautores do projeto de lei, afirmou que os veteranos ucranianos e os soldados feridos não podem ter uma reabilitação completa na Ucrânia e são obrigados a deixar o país para ter acesso à cannabis medicinal. Ele também afirmou que o texto, apresentado pelo governo da Ucrânia ao Parlamento do país, está próximo das opiniões sobre o tema manifestadas por Zelensky. O presidente manifestou apoio à legalização, com uma pesquisa científica apropriada e a produção supervisionada na Ucrânia”, em discurso proferido no Parlamento em 28 de junho deste ano, quando disse que ajudaria aos ucranianos a tratar “a dor, o estresse e o trauma da guerra”.
Até agora, a legalização havia sido rejeitada no Parlamento, e um projeto de lei não passou em 2021. O texto atual, por sua vez, já está sendo debatido há mais de um ano. A oposição argumenta com estereótipos, que equiparam o uso da cannabis medicinal com a legalização de drogas ilícitas e alegando que pode acontecer um aumento da produção e consumo de drogas na Ucrânia. Ivanenko, diretora-executiva da ONG Pacientes da Ucrânia, garantiu que as chances de legalizar a cannabis são maiores do que nunca, visto que o presidente, o governo, vários parlamentares, o exército e grande parte da população apoiam o projeto. A expectativa é que o texto seja votado na próxima sessão do Parlamento, segundo afirmou nesta quarta-feira o deputado Yaroslav Zhelezniak.
[jp-related-posts ids=”1437142,1437131″]
*Com informações da EFE
Assuntos
continue lendo
Mundo
Ataque russo deixa 31 mortos em escola usada para distribuir ajuda na Ucrânia
Ao menos 50 pessoas estão desaparecidas após bombardeio em Zaporizhzhia; Zelensky acusa Moscou de atingir abrigo onde civis buscavam proteção
- Presidente da Câmara dos Representantes nos EUA vai renunciar após derrota republicana Jovem Pan · há 50 minutos
- Veja quem são os brasileiros eleitos nos EUA Jovem Pan · há 2 horas
- Trump admite que guerra no Irã contribuiu para a derrota republicana Jovem Pan · há 5 horas
- Após desafetos, Milei e Pedro Sánchez ficarão frente a frente na Cúpula Ibero-Americana AFP · há 6 horas