Papa pede paz no Oriente Médio em primeira bênção de Páscoa
Em sua primeira bênção de Páscoa como pontífice, o Papa Leão XIV pediu, neste domingo (5), que as lideranças mundiais com poder de decisão “escolham a paz” em vez da guerra. O apelo ocorre em um momento crítico, com o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se alastrando por toda a região do Oriente Médio e abalando a economia global.
“Estamos nos acostumando com a violência, resignando-nos a ela e nos tornando indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas”, declarou o Papa a uma multidão na Praça de São Pedro. O líder da Igreja Católica, eleito em maio do ano passado, aproveitou a ocasião para convocar uma vigília de oração no Vaticano para o dia 11 de abril.
Durante a cerimônia, Leão XIV também prestou homenagem ao seu antecessor, o Papa Francisco, que faleceu poucas horas após sua última aparição pública no Domingo de Páscoa do ano passado. O atual pontífice tem reiterado apelos pela paz e, nesta semana, instou diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump, a encontrar uma solução diplomática para a crise.
Silêncio e restrições na Terra Santa
Em Jerusalém, o cenário era de desolação. As ruelas da Cidade Velha, habitualmente lotadas, estavam desertas devido à escalada da guerra. Por questões de segurança, as autoridades israelenses restringiram severamente o acesso à Igreja do Santo Sepulcro. Postos de controle policiais revistavam o reduzido número de fiéis autorizados a circular, enquanto o comércio local permanecia de portas fechadas.
“É muito difícil para todos nós. É o nosso feriado, queremos rezar, mas encontramos tudo fechado”, lamentou a fiel romena Christina Toderas. O sentimento de frustração foi compartilhado pelo Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém. “O silêncio é quase absoluto, quebrado apenas pelo som distante do que a guerra continua a semear nesta terra santa e devastada”, afirmou em sua homilia.
Impacto regional nas minorias cristãs
A tensão se estendeu por outros países da região. No sul do Líbano, comunidades cristãs ficaram presas no fogo cruzado entre Israel e o Hezbollah. Na vila de Debel, moradores celebraram a data sob o som de bombardeios ininterruptos. “As pessoas estão aterrorizadas. Nossa única esperança é Deus”, relatou Joseph Attieh, liderança local.
Em Dubai, missas foram canceladas por tempo indeterminado como medida de precaução. Já na Síria, as celebrações foram restringidas às missas internas após ataques recentes a cidades cristãs no centro do país, evidenciando o impacto profundo e generalizado do conflito sobre as práticas religiosas no Oriente Médio.
*Com informações da AFP
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