Argentina: Policiais protestam em Buenos Aires por melhores salários e elevam tensão
Policiais da província de Buenos Aires organizaram uma manifestação em frente à residência presidencial da Argentina nesta quarta-feira, 9, pedindo melhores salários e elevando a tensão social no país que vive uma crise econômica agravada pela pandemia. O presidente Alberto Fernández prometeu atender à demanda e exigiu respeito à institucionalidade.”Toda reclamação tem um modo de se fazer, nem tudo está permitido na hora de reclamar”, disse o presidente em discurso na televisão após várias horas de manifestações. O palácio de Olivos foi rodeado por policiais e patrulheiros durante todo o dia. “O que nos preocupa é ver tantos policiais parados em um protesto, tantos carros de patrulha que param de circular nas ruas e assim deixam muitos cidadãos honestos que precisam da polícia nas ruas indefesos”, argumentou. “Peço amigavelmente e democraticamente que parem com essa atitude”.
O presidente argentino, que assumiu o país em dezembro com alta inflação e agora tem uma crise econômica agravada pela pandemia do novo coronavírus, informou que o governo vai criar um fundo de fortalecimento financeiro para a província, que em parte servirá para repor os salários da polícia. A pandemia tirou fontes extras de renda dos policiais, como horas extras para atuar na guarda de eventos esportivos e artísticos. A Argentina vive o pior momento da pandemia, com mais de meio milhão de casos de covid-19 e mais de 10 mil mortes, embora o índice de mortalidade ainda esteja entre os mais baixos da região.
A manifestação começou na segunda-feira com uma reivindicação salarial que as autoridades provinciais reconheceram como legítima e prometeram abordar. “O protesto é justo e legal. Os salários da polícia não são suficientes para sobreviver”, disse um porta-voz dos manifestantes, Luis Tunil, ao canal C5N. “O gatilho para a manifestação foi o anúncio do investimento em segurança e nada em salários”, disse o delegado da polícia Nicolás Masi à rádio FutuRock. Fernández anunciou na semana passada um investimento equivalente a 460 milhões de dólares para reforçar a segurança na província, onde a criminalidade cresceu 30%, segundo dados oficiais. Aumentos salariais não estavam previstos.
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A polícia da província de Buenos Aires, onde vivem 17 milhões de pessoas, exige um aumento salarial de 56% e melhorias nas condições de trabalho. O salário base mensal para quem entra na força é de 37.572 pesos (US$ 502), segundo dados do governo. A instituição tem cerca de 90 mil integrantes para atuar na metrópole argentina. Líderes da oposição de centro-direita rejeitaram a manifestação em frente à residência presidencial. “Não é a forma nem o lugar. A presença de policiais em Olivos é inaceitável”, tuitou no final do dia o prefeito da capital, o opositor Horacio Rodríguez Larreta. (Com agências internacionais).
*Com informações do Estadão Conteúdo
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