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Trump processa Wall Street Journal e Rupert Murdoch após reportagem sobre caso Epstein

Jornal menciona uma suposta carta de aniversário escrita pelo presidente em 2003, com desenho obsceno de uma mulher nua; republicano diz que se trata de uma falsificação

Felipe Cerqueira

Presidente Trump
Presidente Trump EFE/EPA/SAMUEL CORUM / POOL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu um processo por difamação e calúnia contra o jornal Wall Street Journal, dois de seus jornalistas e Rupert Murdoch, dono do conglomerado de mídia NewsCorp. A ação foi apresentada nesta sexta-feira (18) na Justiça Federal em Miami, um dia após a publicação de uma reportagem que menciona uma suposta carta de aniversário escrita por Trump em 2003 ao financista Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede de tráfico sexual e encontrado morto na prisão em 2019.

O conteúdo do processo ainda não foi tornado público. No entanto, o governo Trump já havia sinalizado que entraria com a ação e que pediria a retirada do sigilo das transcrições do grande júri no caso Epstein, por meio do Departamento de Justiça.

Segundo o WSJ, a carta atribuída a Trump fazia parte de uma coleção para o aniversário de 50 anos de Epstein. O documento teria um desenho obsceno de uma mulher nua, com um texto dentro do contorno da imagem e a assinatura de Trump posicionada de maneira sugestiva. O presidente nega ter escrito ou desenhado a carta. “Eu não faço desenhos de mulheres. Isto é uma falsificação. Não é meu linguajar, não são minhas palavras”, disse Trump em sua rede social, a Truth Social.

Ele também afirmou que alertou pessoalmente Rupert Murdoch sobre a falsidade da história antes da publicação. “Mesmo assim, eles publicaram uma história maliciosa, falsa e difamatória”, escreveu. “A imprensa tem que aprender a dizer a verdade.”

Pressão interna e queima de bonés MAGA

A publicação da reportagem e a condução do governo em relação ao caso Epstein provocaram uma crise interna no movimento conservador. Apoiadores de Trump passaram a queimar bonés vermelhos com o slogan Make America Great Again em protesto contra a falta de transparência. Nas redes sociais, exigiram a divulgação completa dos arquivos e acusaram o presidente de proteger integrantes da elite envolvidos com Epstein — postura que contradiz a retórica tradicional do trumpismo.

Trump reagiu com críticas duras à sua própria base. “O novo GOLPE deles é o que chamaremos para sempre de Farsa de Jeffrey Epstein, e os meus apoiadores do PASSADO acreditaram nessa besteira de cabo a rabo”, afirmou na Truth Social. “Não quero mais o apoio deles.”

Além da base, Trump também foi alvo de críticas de figuras influentes da direita americana, como o comentarista Tucker Carlson, a ativista Laura Loomer e o ex-assessor Steve Bannon. Todos pressionam por mais esclarecimentos sobre o caso e pela liberação dos documentos mantidos sob sigilo pelo Departamento de Justiça.

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Departamento de Justiça nega existência de lista de clientes

No início de julho, o Departamento de Justiça divulgou um memorando conjunto com o FBI afirmando que não existe uma lista de clientes de Epstein, como havia sido sugerido anteriormente pela procuradora-geral Pam Bondi. O documento também confirmou que grande parte do material foi colocado sob sigilo judicial para proteger as vítimas e que “apenas uma fração” das provas seria tornada pública caso Epstein tivesse ido a julgamento.

O conteúdo da investigação, segundo o governo, continuará sob sigilo. Mesmo assim, Trump pediu à procuradora Bondi que solicite à Justiça a divulgação das transcrições do grande júri — algo incerto, já que essas audiências costumam ser protegidas por regras de confidencialidade. A controvérsia em torno do caso Epstein, somada à ofensiva judicial contra a imprensa, representa um novo ponto de tensão na campanha de reeleição de Trump e no relacionamento com sua base mais fiel.

*Com informações da AFP
Publicado por Felipe Dantas

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