Alessandro Vieira repudia falas de Barroso sobre as Forças Armadas: ‘Erro muito grave’
O senador Alessandro Vieira (PSDB) entrou com ofícios para que ao Ministério da Defesa e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostrem evidências da confiabilidade ou não das urnas eletrônicas. A posição do parlamentar acontece dias após o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), falar sobre as tentativas de uso político das Forças Armadas para atacar e desacreditar o processo eleitoral nacional, durante evento nos Estados Unidos. “É equivocada no conteúdo e na forma. Não cabe a um ministro de Corte Superior fazer declarações de cunho político, menos ainda em um evento público internacional. Você não pode confundir uma eventual posição de indivíduos com a postura institucional das Forças Armadas. Então um erro muito grave cometido pelo ministro”, disse o senador, em entrevista concedida ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News. Embora repudie as falas de Barroso, Vieira lembrou que as declarações levaram ao posicionamento do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Oliveira. Em nota, ele afirmou que as afirmações do ministro foram irresponsáveis e uma “ofensa grave” que “afeta a ética, a harmonia e o respeito entre as instituições”.
Segundo o ministro, as Forças “atenderam ao convite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apresentaram propostas colaborativas, plausíveis e exequíveis, no âmbito da Comissão de Transparência das Eleições (CTE) e calcadas em acurado estudo técnico realizado por uma equipe de especialistas, para aprimorar a segurança e a transparência do sistema eleitoral, o que ora encontra-se em apreciação naquela Comissão”. Com isso, Alessandro Vieira defende que essas indicações de mudanças, até então desconhecidas da sociedade, sejam debatidas publicamente. “O que cobramos dos dois órgãos são informações claras e transparentes no tocando de quais informações foram essas [compartilhadas], para que todos os brasileiros possam ter confiança no sistema democrático. […] É muito importante esclarecer que vivemos no mundo todo, e no Brasil especialmente, em um regime de narrativas em redes sociais. E as instituições não podem se limitar a discussões rasas.”
“Tenho confiança no sistema eleitoral, nas urnas eletrônicas, que tem funcionado há tento tempo sem relatos de maior relevância. Mas se existe o debate, ele tem que ser público”, acrescentou. Alessandro Vieira finalizou pontuando que os posicionamentos políticos feitos por ministros, assim como por integrantes das Forças Armadas, acontece por uma “má qualidade da representação política brasileira” e uma omissão que gera uma busca por “alternativas”. “Em uma democracia não existe poder absoluto. Precisamos esclarecer para população os fatos para garantir um processo eleitoral que seja tranquilo. […] Democracia é respeito ao resultado das urnas, precisamos de um processo eleitoral que seja o mais transparente possível para que a gente possa ter uma sociedade mais unida, pacificada e que possa enfrentar os problemas do Brasil.”
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