Ascensão da China é ameaça aos direitos humanos, diz HRW
Foi divulgado nesta quarta-feira (14) o relatório anual da ONG Human Rights Watch que analisa a questão dos direitos humanos em mais de 100 países. A ONG acusou a China de usar o próprio poder econômico para estender ao resto do mundo a repressão que, segundo a HRW, é vivenciada no país.
A ONG entende que as ações de Pequim, principalmente na condução da repressão às manifestações em Hong Kong, violaram os direitos humanos. Para Keneth Roth, diretor executivo da Human Rights Watch, o país asiático vive o pior período de repressão das últimas décadas.
Segundo ele, há uma vigilância constante por parte do Estado. O diretor executivo da ONG disse ainda que cerca de um milhão de muçulmanos e turcos foram detidos e pressionados a renunciar às próprias tradições.
No último domingo (12), Keneth Roth tentou entrar em Hong Kong para divulgar o relatório, no entanto, foi barrado pelas autoridades. Ele classificou o impedimento como uma prova da repressão avaliada pela ONG.
Vale lembrar que, no início do mês de dezembro, como forma de retaliação à decisão dos Estados Unidos em apoiar as manifestações de Hong Kong, Pequim anunciou sanções contra cidadãos e entidades norte-americanos.
Também consta na avaliação que a China cria uma rede de apoio por parte de governos que dependem da nação em questões de negócios.
Além disso, a posição ocupada por Pequim no Conselho de Segurança da ONU foi alvo de crítica: o país foi acusado de se valer da colocação para bloquear medidas de proteção a pessoas perseguidas.
O relatório ainda criticou os governos dos Estados Unidos, Brasil e Índia — considerando que estas nações possuem estados “populistas e autocráticos”. A questão com o Brasil, no entanto, ainda se estendeu.
Brasil
A análise da Human Rights Watch pontuou, em 9 páginas, que o governo de Jair Bolsonaro dá margem para o aumento do desmatamento ilegal da Amazônia.
O relatório diz que as políticas da gestão do atual presidente enfraqueceram o combate às atividades ilegais na maior floresta do país, reduziram orçamento para fiscalização e limitaram a ação de servidores públicos.
A ONG usou o caso da morte do líder indígena Paulo Paulino Guajajara para exemplificar a desatenção do governo Bolsonaro com a Amazônia.
Outras questões relacionadas sobre o Brasil foram a flexibilidade do Estado com relação ao monitoramento do uso de agrotóxicos e o abuso de autoridade por parte de policias.
Em resposta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu uma nota afirmando ter agido com rigor durante o ano de 2019 com as questões da Amazônia.
*Com informações da repórter Camila Yunes
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