Biden pediu para Maduro libertar presos políticos durante posse de Dilma
Washington, 2 jan (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, pediu ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que liberte os presos políticos de seu país em um breve encontro realizado ontem em Brasília, informou nesta sexta-feira à Agência Efe uma fonte oficial americana.
O diálogo entre Biden e Maduro foi “breve e cortês”, de cerca de “dois ou três minutos” de duração e não estava programado. O encontro ocorreu espontaneamente durante a posse da presidente Dilma Rousseff, explicou à Efe o funcionário do gabinete do vice-presidente.
Um dos funcionários que acompanhavam Maduro “se aproximou” da comitiva americana “para perguntar se (o presidente venezuelano) podia se apresentar” a Biden durante o ato em que Dilma recebeu as autoridades estrangeiras no Palácio do Planalto.
Uma vez reunidos, Maduro disse a Biden que a Venezuela deseja uma “relação melhor com os Estados Unidos”, e o vice-presidente americano respondeu que o governo do presidente Barack Obama compartilha esta intenção, segundo contou o funcionário, que pediu anonimato.
“O vice-presidente respondeu: nós também, (a relação) não tem que ser desta maneira, mas há algumas decisões fundamentais que precisam ser tomadas. Entre elas, a mais importante é soltar os presos políticos”, disse o funcionário americano.
Os Estados Unidos vem condenando reiteradamente a prolongada prisão do líder opositor venezuelano Leopoldo López e dos ex-prefeitos Enzo Scarano e Daniel Ceballos. Além disso, a Casa Branca criticou as acusações contra a deputada María Corina Machado.
Durante a conversa, Maduro se referiu às sanções que os EUA decidiram aplicar contra um grupo de funcionários venezuelanos acusados de violar direitos humanos na repressão dos protestos antigovernamentais ocorridos na Venezuela nos primeiros meses de 2014. Os distúrbios no país deixaram mais de 40 mortos.
“Quando o presidente Maduro falou das sanções, o vice-presidente lhe disse que eram dirigidas a violadores de direitos humanos e não ao povo venezuelano”, explicou a fonte.
Os Estados Unidos não planejam divulgar os nomes dos funcionários venezuelanos afetados pelas sanções, punidos de acordo com a Lei para a Defesa dos Direitos Humanos e Sociedade Civil da Venezuela, assinada por Obama no mês passado.
O funcionário americano afirmou que apesar da conversa com Maduro ter sido “fluida”, Biden não prevê “começar um diálogo” de alto nível com Caracas. O Departamento de Estado continuará sendo o responsável pelas relações entre os dois países e por tentar conduzir um “diálogo verdadeiro” entre oposição e governo venezuelanos.
Segundo o funcionário, durante o ato em Brasília, Biden também manteve breves conversações com a presidente do Chile, Michelle Bachelet; com o presidente do Uruguai, José Mujica; com a vice-presidente do Peru, Marisol Espinoza; e saudou brevemente o vice argentino, Amado Boudou. EFE
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