Advogado de Joesley critica delegado que pediu prisão: ‘Delação vai virar instituto posto em xeque’

  • Por Jovem Pan
  • 12/11/2018 17h55 - Atualizado em 12/11/2018 18h51
Willian Moreira/Estadão ConteúdoJoesley Batista voltou à prisão na última sexta, após cumprimento de mandado judicial na Operação Capitu

O advogado de Joesley Batista, André Callegari, afirmou nesta segunda-feira (12) em entrevista à Jovem Pan que o delegado responsável pela Operação Capitu induziu a juíza que decretou a prisão do empresário ao erro ao relatar fatos já narrados anteriormente “como se fossem novidades”. A medida, em sua opinião, ameaça a delação premiada, que pode virar um “instituto posto em xeque”.

“A representação do delegado foi equivocada. Ele requentou fatos narrados pelos colaboradores, que estão em anexos já entregues à procuradoria. Não houve nenhum fato novo. Houve uma indução a erro ao Poder Judiciário, que acabou, por cautela, decretando a prisão”, criticou.

Na sexta-feira (9), Joesley foi preso com mandado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em ação que também levou à cadeia Ricardo Saud e o ex-ministro da Agricultura Neri Geller.

“O único que pode rever [a delação] é o Supremo Tribunal Federal. A colaboração, daqui a pouco, vai virar um instituto posto em xeque. Acabaram tomando medidas precipitadas”, disse, após se reunir com procuradores da República. “Discutimos quais cautelas serão tomadas para ações como essa não se repitam.”

Soltura

O decreto de prisão temporária por cinco dias foi derrubado nesta segunda pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro, que julgou a determinação “ilegal”. A decisão do magistrado destacou, assim como Callegari, que os fatos eram antigos e “não contemporâneos com a investigação atual”.

A defesa do executivo do grupo J&F não havia solicitado a soltura até Cordeiro decidir, durante a manhã, soltar o ex-ministro da Agricultura Neri Geller e o ex-secretário de Defesa Agropecuária da pasta Rodrigo Figueiredo, detidos na mesma ação. “Assim que soubemos da decisão, fizemos o pedido de extensão [do entendimento do ministro]”, disse.

“Não se nega [o cometimento de crimes]. Esses fatos já foram narrados, o da entrega de valores [de propina] ao MDB, ao Eduardo Cunha“, exemplificou. “Mas o delegado pega os dados [da delação] dos colaboradores e usa contra os próprios colaboradores.”