Bolsonaro diz que críticas de nepotismo em indicação de Eduardo são ‘hipocrisia’

‘Tem nada a ver parente’, disse o presidente ao criticar impedimento em indicar o próprio filho como embaixador nos EUA

  • Por Jovem Pan
  • 04/08/2019 11h34
Ernesto Rodrigues/Estadão ConteúdoPara ser nomeado embaixador, Eduardo precisará passar por sabatina no Senado

Jair Bolsonaro chamou de “hipocrisia” as críticas de que a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à embaixada nos Estados Unidos se trataria de nepotismo, mas admitiu que o Senado pode barrar a nomeação. O parlamentar é filho do presidente da República.

“Sim, o Senado pode barrar sim. Mas imagine que no dia seguinte eu demita o (ministro de Relações Exteriores) Ernesto Araújo e coloque meu filho. Ele não vai ser embaixador, ele vai comandar 200 embaixadores e agregados mundo afora. Alguém vai tirar meu filho de lá? Hipocrisia de vocês”, respondeu a jornalistas, ao deixar o Palácio do Alvorada para participar de um culto evangélico em Brasília neste domingo (4).

Questionado se pretende mesmo nomear Eduardo ministro no caso de reprovação do seu nome para embaixador, Bolsonaro disse que não trabalha com essa hipótese. “Não vou fazer isso”.

Bolsonaro criticou ainda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu o nepotismo na administração pública. “O STF decidiu sobre nepotismo e sobre tipificar homofobia como racismo. Acho que quem tem que decidir sobre essas coisas é o Poder Legislativo. Teve um parlamentar contra o nepotismo que foi pego na Lava Jato. Tem nada a ver parente”, completou.

O presidente disse partir do princípio que a indicação de um filho eleito para um cargo não seria nepotismo. “Tem ministro com toda certeza que tem parente empregado, com DAS (função comissionada), e daí?”, questionou. “Que mania de que tudo que é parente de político não presta. Tenho um filho que está para ir para os EUA e foi elogiado pelo presidente norte-americano Donald Trump. Vocês massacraram meu filho: fritador de hambúrger”, acrescentou.

O presidente também rebateu matéria do jornal O Globo que contabilizou a contratação de 102 parentes entre si como assessores nos seus gabinetes e nos gabinetes de seus filhos, desse 1989.

“Não tenho 102 parentes, tem uma mentira deslavada ali. Já botei parentes no meu gabinete no passado, antes que nepotismo fosse crime”, afirmou, lembrando que a primeira dama, Michele Bolsonaro, trabalhou em seu gabinete antes do relacionamento.

Com Estadão Conteúdo