Bolsonaro diz ter recomendação para não divulgar áudio de reunião com Moro
O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã desta quinta-feira (30) que recebeu uma recomendação para não divulgar o áudio da última reunião interministerial da qual o ex-ministro Sergio Moro participou. “Último conselho que tive é não divulgar para não criar turbulência. Uma reunião reservada, então é essa a ideia. Talvez saia, mas por enquanto não”, disse o mandatário ao deixar o Palácio da Alvorada.
Em declarações recentes, o presidente prometeu que divulgaria a gravação da última reunião ministerial da qual Moro participou, no dia 14 de abril, para provar solicitações que fez ao ex-chefe da Justiça, em especial para que Moro se posicionasse sobre prisões, consideradas por Bolsonaro como “ilegais”, de cidadãos que quebraram as orientações de isolamento para evitar a disseminação do novo coronavírus.
“Não tem nada de mais, é a maneira como me conduzi, como me referi ao ministro da Justiça tratando da questão de mulheres e senhores sendo algemados sem uma participação dele”.
Antes de recuar da divulgação, Bolsonaro havia dito que pediu autorização dos outros ministros para tornar a gravação pública.
O presidente também se defendeu mais uma vez das acusações sobre tentativas de interferência na Polícia Federal feitas por Sergio Moro na sexta-feira (24), quando o ex-ministro pediu demissão.
“A questão de interferência, para deixar bem claro ao senhor Sergio Moro, o ônus da prova cabe a quem acusa. Ônus da prova cabe a quem acusa”, disse. “Nenhum superintendente foi trocado, eu sugeri duas superintendências. Ele não concordou, passou a ser dono de tudo e não aceitava qualquer sugestão, o ego falou mais alto a vida toda dele”, afirmou Bolsonaro.
O presidente destacou ainda que o ex-ministro “deixou a desejar” em sua atuação no governo. Bolsonaro indicou que Moro teria favorecido conhecidos da vara de Curitiba para montar sua equipe no ministério. “Ninguém nega o trabalho de Sergio Moro na Lava Jato lá atrás. Um excelente juiz. Mas como ministro lamentavelmente deixou a desejar. Até priorizando, privilegiando, o pessoal que estava no Paraná, sem querer desmerecê-los”, afirmou.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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