Cantareira completa uma semana com o volume útil reservado em estado crítico

Escassez hídrica é agravada em um cenário de chuvas irregulares e aumento do consumo de água; como solução, a Sabesp tem reduzido a pressão da rede à noite

  • Por Jovem Pan
  • 15/01/2026 12h11 - Atualizado em 15/01/2026 12h12
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LUIS MOURA/WPP/ESTADÃO CONTEÚDO Vista da represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, nesta terça-feira Cantareira completa uma semana com o volume útil reservado em estado crítico

O Sistema Cantareira completou uma semana com o volume útil reservado abaixo dos 20%. Dados do painel da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostram que o sistema opera em cenário crítico, de acordo com os critérios de monitoramento.

Na manhã desta quinta-feira (15), o Cantareira indicava 19,4% de volume útil reservado, menos da metade do aferido no mesmo dia do ano passado, de 50,3%. A escassez hídrica é agravada em um cenário de chuvas irregulares, ondas de calor mais frequentes e aumento do consumo de água.

Para economizar água, a Sabesp tem reduzido a pressão da rede à noite. Com isso, moradores de diferentes bairros têm reclamado de problemas de abastecimento. “Não consigo tomar banho”, disse ao Estadão o empreendedor Guilherme Lessa Villela, de 44 anos, que vive na Lapa, zona oeste de São Paulo.

A companhia diz que áreas mais altas ou mais distantes do reservatório podem sofrer mais efeitos provocados pela redução de pressão.

O Cantareira e Alto Tietê são os principais sistemas que abastecem a Grande São Paulo, com maior capacidade de armazenamento. O volume de ambos está em queda desde abril do ano passado.

O monitoramento diário é realizado pela Sabesp e também pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), que atualizam os níveis dos reservatórios todas as manhãs.

Estação de tratamento de água da Sabesp

Sabesp tem reduzido a pressão da água à noite na Grande São Paulo, com o objetivo de economizar

Desde outubro do ano passado, o governo estadual passou a adotar um novo modelo de acompanhamento e gestão dos recursos hídricos, dividido em sete faixas de atuação com base no volume médio dos sete sistemas da Grande São Paulo.

Atualmente, a região está na faixa 4, considerada de atenção, que prevê a redução da pressão nos sistemas por 14 horas diárias.

Quando poderá ter rodízio? Veja as faixas de monitoramento

– Faixa de normalidade: volume de 100% a 44%;

– Faixa 1: de 44% a 38%;

– Faixa 2: de 38% a 32%;

– Faixa 3: de 32% a 26%;

– Faixa 4: de 26% a 20%;

– Faixa 5: de 20% a 10%;

– Faixa 6: de 10% a 0%;

– Faixa 7: 0%;

Vale ressaltar que os valores porcentuais das faixas podem ser ligeiramente alterados, pois são consideradas questões como a sazonalidade e histórico recente de disponibilidade nos reservatórios.

Nas faixas de 1 a 3, o foco é em prevenção, consumo racional de água e combate a perdas na distribuição. As faixas 1 e 2 estabelecem o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA) e a gestão de demanda noturna de 8 horas, respectivamente.

Já nas faixas 4, 5 e 6, os cenários são de contingência controlada, com períodos ampliados de redução da pressão na rede, por 12, 14 e 16 horas. Por fim, na faixa 7, o cenário mais grave inclui o rodízio de abastecimento entre regiões, com obrigação de fornecimento de caminhões-pipa para apoio a serviços essenciais.

E o Cantareira?

A rede de abastecimento de água na Grande São Paulo é formada por sete sistemas que, juntos, têm capacidade para armazenar quase 2 trilhões de litros de água. São eles:

– Cantareira (único com volume morto);

– Alto Tietê;

– Guarapiranga;

– Cotia;

– Rio Claro;

– Rio Grande;

– São Lourenço;

Somente o Cantareira abastece cerca de metade da população da região metropolitana de São Paulo e contribui para o atendimento de Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. O Cantareira é composto cinco reservatórios interligados (Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro) com volume útil total de 981,56 bilhões de litros.

Sistema Cantareira

Sistema Cantareira abastece cerca de metade da população da região metropolitana de São Paulo

Desde 2018, o sistema conta também com a interligação entre a represa Jaguari (no rio Paraíba do Sul) e a represa Atibainha, ampliando a segurança hídrica para a região. Porém, tanto o Cantareira quanto o Alto Tietê estão operando nas últimas semanas próximos ao volume de 20% da capacidade, situação que exige atenção permanente.

O monitoramento do sistema Cantareira, que tem gestão compartilhada entre a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) por envolver rios que não pertencem só a São Paulo, segue critério diferente do sistema integrado. Em vez de sete faixas, são cinco:

– Faixa 1 (normal): volume igual ou maior que 60%;

– Faixa 2 (atenção): volume igual ou maior que 40% e menor que 60%;

– Faixa 3 (alerta): volume igual ou maior que 30% e menor que 40%;

– Faixa 4 (restrição): volume igual ou maior que 20% e menor que 30%;

– Faixa 5 (especial): volume acumulado inferior a 20%;

*Com informações do Estadão Conteúdo
Publicado por Nícolas Robert

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