PF diz que serão soltos dois dos hackers suspeitos de invadir celular de Moro

Expectativa é que Suelen Priscila de Oliveira e Danilo Cristiano saiam da prisão na segunda-feira (2)

  • Por Jovem Pan
  • 31/08/2019 14h31
Divulgação/PFPF está focada em desvendar se houve pagamento para a obtenção e compartilhamento de mensagens por parte dos hackers

Um mês após a decretação da prisão preventiva, a Polícia Federal informou à Justiça Federal que já não há necessidade de manter presos dois dos quatro suspeitos de hackear o ministro da Justiça, Sergio Moro, e mais mil autoridades. Segundo a PF, serão soltos Suelen Priscila de Oliveira e Danilo Cristiano.

A PF está focada em desvendar se houve pagamento para a obtenção e compartilhamento de mensagens por parte dos hackers. Por isso, entende que é necessário manter presos apenas Walter Delgatti Neto, descrito como líder do grupo, e Gustavo Henrique Santos, o DJ de Araraquara.

Walter confessou ter invadido o celular das autoridades e repassado o pacote de mensagens ao site The Intercept, mas nega ter recebido qualquer pagamento.

A manifestação, sigilosa, foi enviada na noite desta sexta-feira (30), após o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, questionar se era preciso manter as prisões.

Segundo uma fonte com acesso à decisão, a PF informou que a soltura de Suelen e Cristiano não ofereceria risco à investigação. No período de um mês, já foi feita a perícia nos materiais apreendidos com Danilo, que é amigo de “Vermelho”. Ainda que Danilo pudesse ter conhecimento de invasões, a defesa sustenta que não tem envolvimento.

A expectativa é que a soltura seja expedida nesta segunda-feira (2). Ainda restam materiais a serem periciados de Walter Delgatti. Já em relação a Gustavo Henrique, a Polícia Federal ainda não conseguiu acessar um aparelho eletrônico apreendido.

Na decisão em que pediu a avaliação da PF, o juiz Ricardo Leite registrou um total de seis crimes sendo investigados na Operação Spoofing: organização criminosa, violação de sigilo telefônico, invasão de dispositivo informático alheio, lavagem de dinheiro, fraudes bancárias e estelionato.

Suspeitos foram presos há mais de um mês

Os quatro suspeitos foram presos pela Polícia Federal no dia 23 de julho, no âmbito da investigação sobre a invasão de telefones celulares de autoridades, incluindo o presidente da República, Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol.

Suelen Priscila de Oliveira

Namorada de Gustavo Henrique Elias Santos, tem 25 anos e não tinha passagem pela polícia. Segundo o advogado, tem conhecimento “razoável” de informática e trabalha com criptomoedas. Foi presa junto com Gustavo em São Paulo. Ela também estava presente no episódio ocorrido no parque Beto Carrero, em Santa Catarina, pelo qual Walter Delgatti foi preso ao tentar se passar por delegado da Polícia Civil.

Ela prestou depoimento junto com o marido Gustavo e foi liberada. Segundo a investigação da Polícia Federal sobre o ataque hacker, Suelen movimentou, entre 7 de março e 29 de maio de 2019, uma renda mensal de R$2.192. Os agentes encontraram R$ 100 mil em espécie no apartamento do casal na zona sul de São Paulo.

Danilo Cristiano Marques

Tem 33 anos e foi preso em Araraquara. É amigo de Delgatti e já foi testemunha dele em dois processos. Morava no Jardim Paineiras, em Araraquara.

* Com informações do Estadão Conteúdo