Em CPI de Brumadinho, engenheiros dizem não saber o que causou tragédia

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2019 16h16
Cadu Rolim/Estadão ConteúdoEngenheira Ana Lúcia Moreira Yoda, da Tractebel , dsse que não saber está "perturbando a comunidade técnica"

A engenheira Ana Lúcia Moreira Yoda, da empresa Tractebel Engineering, responsável pelos laudos de estabilidade da barragem de Brumadinho de 2017 a junho de 2018, disse nesta quarta-feira, 3, que, enquanto atuou na mina, não havia nenhum indicativo de risco iminente de rompimento da estrutura.

A declaração foi feita na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, que investiga o rompimento da Barragem de Brumadinho (MG). A tragédia deixou mais de 200 mortos.
Yoda disse que, à época, os indicadores estavam “dentro das leituras históricas”.

O que aconteceu, segundo ela, foi que, após uma reclassificação pela Tractebel do fator de segurança da barragem, em junho de 2018, o gestor da Vale, Washington Pirete, achou melhor deixar a análise sob a responsabilidade da alemã Tüv Süd, que atestou por último a estabilidade da estrutura. A justificativa para a troca de empresas dada pelo gestor foi de que a alemã teria estrutura melhor para avaliar a barragem.

“A Tractebel decidiu não trabalhar mais com declarações de segurança de estruturas de barragens”, afirmou aos senadores.

Sobre o que teria causado o rompimento da estrutura em Brumadinho, a engenheira disse que não sabe responder. “Muito difícil [saber o que aconteceu]. A coisa que está mais perturbando a comunidade técnica é essa pergunta. Eu não saberia dizer com os elementos que eu tenho. A gente tem tentado estudar, mas eu não saberia dizer, tenho medo de ser leviana”, concluiu.

Outro técnico ouvido hoje pela CPI do Senado foi o gerente de Geotecnia Corporativa da Vale, Alexandre Campanha. Ele se defendeu das acusações de ter coagido engenheiros da Tüv Süd a atestar o laudo de estabilidade da barragem.

“Nunca pressionei o senhor Makoto [Namba] e nenhum funcionário da Tüv Süd”, disse. Campanha citou trechos de vários depoimentos, prestados à Polícia Federal, dos engenheiros que atestaram a segurança da barragem e enfatizou o fato deles terem dito reiteradas vezes que o laudo foi dado “com base em critérios técnicos”.

Habeas corpus

Amparados por habeas corpus concedido ontem (2) pela ministra Rosa Weber, do STF, os engenheiros André Jum Yassuda e Makoto Namba ficaram calados durante a sessão da CPI.

Ambos são responsáveis pelo laudo de estabilidade da estrutura da barragem da Mina do Córrego do Feijão, que se rompeu no dia 25 de janeiro. A presidente da CPI, senadora Rose de Freitas (Podemos-ES) disse que vai recorrer da decisão para que os engenheiros voltem à CPI.

*Com Agência Brasil