Estudante é assassinado com tiro na cabeça em república próxima à USP

Três pessoas foram presas e um dos moradores foi feito refém

  • Por Jovem Pan
  • 19/08/2019 15h11
Reprodução/Google MapsO local é próximo à Cidade Universitária, principal campus da USP, mas a vítima não era aluna da instituição

Na madrugada desta segunda-feira (19), o estudante Daniel Alecsander de Oliveira Amaral Lima Bezerra, de 23 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça em uma república estudantil localizada na Vila Gomes, região do Butantã, na zona oeste de São Paulo.

Três pessoas foram presas suspeitas de participação no crime: Cassio Luiz Jesus Sena, de 20 anos, Jonas Pedro Gildo dos Santos, de 18 anos, e Lais Moreira Barbosa, de 26 anos.

O caso foi registrado no 51º Distrito Policial (Rio Pequeno/Butantã), onde estão detidos os suspeitos. O local é próximo à Cidade Universitária, principal campus da Universidade de São Paulo (USP), mas a vítima não era aluna da instituição.

Farmacêutico foi feito refém

Os suspeitos estavam em um carro (modelo Logan) que havia sido roubado na madrugada anterior de um motorista de aplicativo, vítima de um sequestro relâmpago por cerca de cinco horas. Quando chegaram à rua Jonas Herculano Aquino, abordaram um farmacêutico de 27 anos que deixava a república (em que residia) por volta da meia noite. O rapaz foi rendido e colocado no porta-malas do próprio veículo, um HB20. “Eu tinha a mania de esperar o carro aquecendo”, contou a vítima, que preferiu não divulgar a identidade.

Os sequestradores utilizaram o cartão da vítima para gastar cerca de R$ 2 mil em compras, enquanto o veículo era guiado pela mulher. A jornalistas, a vítima relatou ter sido agredida com chutes e golpes na cabeça. “Foi uma coisa de louco.”

Ele descreve, ainda, que os três envolvidos aparentavam ter usado substâncias ilícitas e que um dos rapazes e a mulher eram violentos. Nesse meio tempo, também teve o celular roubado, momento em que os criminosos encontraram fotos de armas air soft (de pressão, utilizadas em jogos), que teriam sido confundidas com armas de fogo.

Mais de uma hora após o sequestro, os criminosos retornaram para a república supostamente atrás das armas. No local, estavam cerca de 15 pessoas (parte delas, estudantes). Eles invadiram o local, roubaram celulares, notebook, dinheiro e outros itens de valor, enquanto o refém continuava no porta-malas.

Durante a ação, que durou cerca de 10 minutos, os criminosos teriam golpeado Daniel, que ficou ferido na cabeça, segundo testemunhas. Ele chegou a pedir ajuda a colegas, mas, depois, foi atrás dos invasores e teria tentado atacá-los com uma faca, sendo depois atingido por um tiro na cabeça já no quintal.

Em seguida, o trio retornou para o HB20 e teria circulado por cerca de 40 minutos até liberar o refém e, depois, colocar fogo no veículo. “Eles falavam: a culpa é sua, você vai morrer”, conta.

Delegado quer entender a motivação do crime

Segundo o delegado Lupércio Dimov, titular do 51° DP (Butantã), Lais e Cassiel formavam um casal, sendo que o rapaz já tinha três passagens pelo mesmo distrito policial, por dois furtos qualificados e um roubo. “Da última vez, a vítima reconheceu os objetos furtados pelo Facebook, porque ele ficava ostentando.”

Os três envolvidos foram detidos e reconhecidos pelas vítimas. Segundo o delegado, todos serão ouvidos e, até quarta-feira, será realizada uma reconstituição do crime. Ele ressalta que um dos objetivos é entender a motivação e identificar o autor do disparo.

Segundo relatos de moradores, Daniel morava há cerca de quatro meses no local e fazia um curso na área jurídica. O analista de sistemas Thiago Peres, de 31 anos, descreve a vítima como um rapaz reservado. “Ouvi tudo (ação do trio). Eu estava agachado, com a cabeça para o chão, olhando para baixo. Quando o Daniel veio pedir ajuda, não consegui nem olhar, mas ele estava ensanguentado”, lembra. “Eu não queria olhar nada, só estava orando para a gente ficar bem”, conta.

Na vizinhança, o caso foi recebido com surpresa. Os moradores relatam desconhecer caso semelhante na região. “Aqui é tranquilo. Às vezes a gente fica aqui, na pizzaria, até a meia noite”, conta o microempreendedor Rafael Carvalho, de 40 anos.

* Com informações do Estadão Conteúdo