Moro promete ‘passagem só de ida para presídio federal’ a 75 do PCC que fugiram do Paraguai

  • Por Jovem Pan
  • 19/01/2020 16h09
Reprodução/Porã NewsMembros do PCC fugiram de presídio no Paraguai

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse neste domingo (19), no Twitter, que a pasta está trabalhando com forças de segurança estaduais para impedir que criminosos que fugiram de um presídio no Paraguai retornem ao Brasil.

Neste domingo, 75 detentos integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) fugiram da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, próxima à fronteira com o Brasil.

“Se voltarem ao Brasil, ganham passagem só de ida para presídio federal”, prometeu Moro. “Estamos trabalhando junto com as forças estaduais para impedir a reentrada no Brasil dos criminosos que fugiram de prisão do Paraguai.”

O ministro ainda garantiu ajuda ao país vizinho para recapturar os criminosos. “O Paraguai tem sido um grande parceiro na luta contra o crime”, reconheceu Moro.

Fuga

Apesar de um túnel ter sido encontrado no local, o governo paraguaio acredita que parte dos criminosos tenha escapado pela porta da frente, com a cumplicidade de funcionários do presídio.

Em entrevista coletiva, a ministra da Justiça do país, Cecilia Pérez, ressaltou que o ministério denunciou em dezembro a existência de um plano de “fuga ou resgate” do PCC, pelo qual agentes penitenciários receberiam US$ 80 mil pela liberdade de líderes da facção. O efetivo policial foi reforçado nos presídios, mas não foi possível conter a fuga. A ministra considerou o caso “extremamente grave e sem precedentes” e colocou o cargo à disposição do presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez.

Um dos fugitivos, segundo o governo paraguaio, é David Timóteo Ferreira, considerado o líder do PCC dentro do sistema penitenciário do Paraguai. Outros seis são tidos como matadores de aluguel ligados ao tráfico.

O ministro do Interior do país, Euclides Acevedo, anunciou alerta máximo de segurança. Ele afirmou que é possível que alguns dos presos já tenham escapado para o Brasil. Outros ainda podem estar no país. A maioria dos fugitivos é altamente perigosa, disse o ministro. “Agora, o principal objetivo é recapturá-los e disponibilizá-los ao Ministério Público”, afirmou.

A Polícia de Ponta Porã (MS), na fronteira do Brasil com o Paraguai, encontrou três veículos queimados na BR-463, próximo ao distrito de Sanga Puitã, do lado brasileiro da linha internacional que separa os dois países. Como o achado se deu logo após a fuga , o secretário da Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, também acredita que parte dos criminosos fugiu para o Brasil.

Ele disse que 200 policiais de várias forças foram deslocados para a região. “São homens da Polícia Rodoviária Estadual, do Departamento de Operações de Fronteira, além de equipes do Bope, Choque e Garra da capital (Campo Grande), com apoio de helicóptero nosso. Vamos fechar não só a fronteira, mas também as divisas com os Estados de São Paulo, Paraná e Goiás, pois já temos a informação de que muitos dos fugitivos são brasileiros de fora do nosso Estado”, disse.

O secretário informou ter feito contato com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), com as secretarias desses Estados e com a Guarda Nacional do Paraguai para ações conjuntas.

“Nossa inteligência está em contato ininterrupto com a polícia do Paraguai para troca de informações e, se necessário, de documentos. Pode haver casos de presos de lá que não tenham mandado de prisão aqui. Vamos dar apoio incondicional a eles nesse caso, pois interessa à nossa segurança”, disse. Segundo o secretário, as seguranças de terminais rodoviários, aeroportos e postos de fiscalização foram colocadas em alerta.

Confira o nome dos 75 fugitivos

Reforço na fronteira

O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou em note que, por meio do programa Vigia, reforçou o policiamento na fronteira com o Paraguai, com helicópteros e barreiras, depois da fuga de membros do PCC. Isso é chamado pela polícia de bloqueio, mas a fronteira não está fechada no MS. Brasileiros e paraguaios continuam podendo ir e vir.

*Com Estadão Conteúdo