‘Isso nos atrapalha’, critica Bolsonaro sobre dados de desmatamento do Inpe

Presidente criticou informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais pela terceira vez

  • Por Jovem Pan
  • 25/07/2019 18h16
Isac Nóbrega / Presidência da RepúblicaJair Bolsonaro durante solenidade em uma escola da Polícia Militar de Manaus

Em visita a Manaus, no Amazonas, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento. Segundo ele, os dados não correspondem à realidade e o órgão tem “fidelidade às ONGs internacionais”.

“Então, esses dados servem para quê? Para alguém lá na ponta da linha ficar feliz e nos prejudicar nas relações que temos com o mundo. Estamos avançando no Mercosul, com o Estados Unidos, com o Japão, com a Coreia do Sul”, afirmou Bolsonaro. “Isso nos atrapalha.”

Bolsonaro disse que cabe aos ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, decidir se vão checar os dados do Inpe. “Estão na mão do Ricardo Salles e do astronauta Marcos Pontes. Não temos medo da verdade”, disse, durante solenidade em uma escola da Polícia Militar. “Agora, dados jogados para cima, para fazer onda, fazer ‘oba-oba’, aí não procede. Não podemos transmitir isso.”

A divulgação de que o desmatamento na Amazônia brasileira aumentou 88% em comparação com o ano passado causou uma série de ataques entre o presidente e o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, que disse, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que as acusações do governo são “conversa de botequim”.

Ainda sobre o desmatamento na Amazônia, Bolsonaro voltou a dizer que, quando esteve em viagens internacionais, convidou a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, para sobrevoarem a floresta, de Boa Vista a Manaus.

“Se encontrar um quilômetro de floresta devastada, eu dou razão a eles. Agora, eu os convidei a me convidar também, a fazer a mesma coisa na Europa. Se achar um quilômetro de floresta, a mesma coisa”, declarou. “Eu te perguntaria quantos palmos de mata ciliar são preservados na Europa? Dois palmos talvez? E aqui? O Brasil é o país que mais preserva. Tem país da Europa que não tem 1% das suas florestas preservadas. Nós queremos preservar o meio ambiente, mas não vamos entrar na psicose ambiental.”

A equipe do Mapbiomas – rede que envolve universidades, empresas de tecnologia e ONGs na análise de imagens de satélite e na produção de mapas sobre a cobertura e o uso da terra do Brasil – aceitou o desafio e fez um voo virtual sobre o trajeto.

O cruzamento de vários dados, como os do sistema Deter, do Inpe, do Censipam – monitoramento feito pelo Ministério da Defesa, mostrou que entre janeiro e junho deste ano houve um desmatamento de 213 km² na região. A análise foi feita por pesquisadores liderados pelo engenheiro florestal Tasso Azevedo.

“Um sobrevoo de Boa Vista a Manaus com o Google Earth mostra todos os desmatamentos que ocorreram no governo Bolsonaro. E foi bem mais do que apenas 1 km²”, disse Azevedo.

Com Estadão Conteúdo