Lava Jato mira desvios na Saúde e prende secretário de Transportes de SP

Operação Dardanários apura esquema de conluio entre empresários e agentes públicos que tinham por finalidade contratações que eram dirigidas. Alexandre Baldy foi um dos alvos

  • Por Jovem Pan
  • 06/08/2020 07h54 - Atualizado em 06/08/2020 10h45
Ananda Borges/Câmara dos DeputadosSecretário Alexandre Baldy foi preso em operação da Lava Jato

A força-tarefa da Lava Jato deflagrou, nesta quinta-feira (6), a Operação Dardanários, que mira desvios na Saúde do Rio de Janeiro e em São Paulo que envolvem órgãos federais. As primeiras informações dão conta de que a Polícia Federal identificou um conluio entre empresários e agentes públicos que tinham por finalidade contratações que eram dirigidas. O juiz federal Marcelo Bretas expediu 6 mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Petrópolis (RJ), São Paulo, São José do Rio Preto (SP), Goiânia e Brasília. Até o momento, três pessoas foram presas; entre elas, Guilherme Franco Cruz, pesquisador do Fiocruz, e o secretário de Transportes de São Paulo, Alexandre Baldy. Embora a assessoria de Baldy não confirme a prisão, fontes ligadas a Jovem Pan reforçaram, no começo desta manhã, que a PF foi até a residência de Baldy, na região da Haddock Lobo.

Segundo informações da repórter Beatriz Manfredini, o secretário deverá ser encaminhado para a sede da polícia federal em São Paulo. Vale destacar que buscas foram realizadas também no gabinete de Baldy e em um apartamento em seu nome de Brasília. A operação apura supostas ações cometidas antes de seu mandato na gestão João Doria. Ele foi deputado federal e ministro das Cidades no governo Temer. O Palácio dos Bandeirantes se pronunciou, em nota, sobre o caso. Durante as buscas nos endereços de Baldy, a PF apreendeu R$ 90 mil em um cofre em Brasília.

Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos confirmou que a Polícia Federal esteve na sede , em São Paulo, cumprindo mandado de busca e apreensão da Operação Dardanários, que foi expedido pela 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. “Importante ressaltar que tal operação não tem relação com a atual gestão do Governo de São Paulo. A STM colaborou junto à PF enquanto estiveram no prédio. Após as buscas, nenhum documento ou equipamento foi levado pela Polícia Federal”, diz o texto.

As investigações fazem parte de desdobramentos das operações Fatura Exposta, Calicute e SOS. Os envolvidos no esquema responderão por crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato e corrupção. O nome “Dardanários”se refere a, segundo a PF, agentes de negócios ou atravessadores que intermediavam as contratações dirigidas. A Procuradoria informou que a partir da colaboração premiada de ex-diretores da Organização Social Pró-Saúde, “foi elucidado o pagamento de vantagens indevidas para agentes que pudessem interceder em favor da OS em relação aos pagamentos do contrato de gestão do Hospital de Urgência da Região Sudoeste (Hurso), em Goiânia, que foi administrado pela Pró-Saúde entre 2010 e 2017.”

“Para possibilitar o pagamento de valores não contabilizados, os gestores da OS à época instituíram esquema de geração de ‘caixa 2’ na sede da Pró-Saúde, com o superfaturamento de contratos, custeados, em grande parte, pelos repasses feitos pelo Estado do Rio de Janeiro, os quais constituíram cerca de 50% do faturamento nacional da organização social (que saltou de aproximadamente R$ 750 milhões em 2013, passando por R$ 1 bilhão em 2014 e chegando a R$ 1,5 bilhão em 2015)”, indicou o MPF em nota.

De acordo com os procuradores, agentes “prosseguiram intermediando os interesses dos ex-diretores da OS na obtenção de contratos de sua empresa recém-criada com outros órgãos da administração pública, mediante o pagamento de um percentual a título de vantagens indevidas”. Os investigadores identificaram a existência de um esquema de direcionamento de contratos da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através da Fundação de Apoio Fiotec.

“Nestes casos, os empresários colaboradores narraram que obtiveram êxito na contratação de serviços de sua empresa em razão do comando ou da influência que os investigados exerciam nos órgãos, e, em troca, pagaram altas quantias de dinheiro em espécie ou até mesmo através de depósitos bancários”, diz a Procuradoria. Segundo os procuradores, a Receita Federal e o Coaf apontaram operações suspeitas que indicam a possibilidade de utilização do núcleo familiar de investigados para ocultar os valores oriundos dos crimes de corrupção, peculato e organização criminosa.

 

*Com Estadão Conteúdo