Metade da população sobrevive com menos de R$ 15 por dia, mostra IBGE

  • Por Jovem Pan
  • 06/05/2020 10h49
Agência Brasil Menino olhando para uma casa de madeira Apesar da disparidade de renda e concentração de riqueza ainda aguda, houve ligeira redução na desigualdade no país

Cerca de 105 milhões de brasileiros, o que representa meta da população, sobrevive com R$ 438 mensais, ou seja, menos de R$ 15 por dia para pagar todas as suas necessidades básicas. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e são referentes à renda média real domiciliar per capita de 2019.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostra que os 10% mais pobres, o equivalente a 20,95 milhões de pessoas, sobreviviam no ano passado com apenas R$ 112 por mês, ou seja,  R$ 3,73 por dia. Por outro lado, 1% da população no extrato mais rico, o que representa cerca de dois milhões de pessoas, vivia com R$ 17.373 mensais.

Apesar da disparidade de renda e concentração de riqueza ainda aguda, houve ligeira redução na desigualdade no país. O Índice de Gini – indicador que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1 – saiu de 0,545 para 0,543 pontos na passagem de 2018 para 2019.

“Acho que está relativamente estável, acompanhando a tendência do mercado de trabalho. Tem um pouco de ganho dos mais pobres, e um pouco de ganho dos rendimentos mais altos”, opinou Alessandra Scalioni Brito, analista do IBGE.

O rendimento médio mensal real domiciliar per capita foi de R$ 1.406 na média do Brasil, descendo abaixo do salário mínimo no Norte (R$ 872) e Nordeste (R$ 884), mas alcançando o dobro desse valor no Sudeste, R$ 1.720.

A massa de renda domiciliar obtida de todas as fontes totalizou R$ 294,396 bilhões em 2019, também distribuída de forma desigual. A parcela dos 10% dos brasileiros com os menores rendimentos detinha 0,8% dessa riqueza, enquanto os 10% mais ricos concentravam 42,9% dela.

“Há uma concentração muito grande, com 10% dos domicílios mais ricos pegando quase metade da renda do país”, observou Alessandra.

*Com informações do Estadão Conteúdo