Perda de olfato e paladar pela Covid-19 pode ser permanente, mostra estudo

Especialista aponta testes específicos capazes de diagnosticar e quantificar a perda do olfato e do paladar; tratamentos podem ajudar na recuperação

  • Por Jovem Pan
  • 05/08/2020 10h51 - Atualizado em 05/08/2020 10h54
ANANDA MIGLIANO/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDOCoronavírus no Brasil

Um dos sintomas mais característicos da Covid-19 é a perda do olfato e do paladar. A estimativa é que cerca de 90% dos pacientes apresentem recuperação parcial ou total da capacidade de sentir cheiros e gostos após um mês da doença. No entanto, segundo pesquisa em desenvolvimento pela Disciplina de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), 10% dos casos de infecção levam perda total do olfato e do paladar e, nestes casos, o dano pode ser irreversível.

De acordo com o presidente da Academia Brasileira de Rinologia, Dr. Fabrizio Ricci Romano, diferente de outros vírus respiratórios que acometem diretamente os neurônios, no caso do coronavírus ocorre uma inflamação local no epitélio olfatório, comprometendo a chegada dos odores para o órgão responsável pela captação do olfato. “O impacto na qualidade de vida do paciente com anosmia, que é a perda total da capacidade de sentir cheiro, é significativo. Sem essa aptidão, a pessoa corre mais risco de acidentes domésticos, como não identificar o vazamento de gás de cozinha ou ingerir alguma comida estragada, isso sem contar a angústia por não conseguir apreciar o sabor dos alimentos, bem como a insegurança em questões de higiene por não sentir o cheiro do próprio corpo”, aponta o médico.

Segundo o especialista, existem testes específicos capazes de diagnosticar e quantificar a perda do olfato.“Os testes de olfato permitem também um acompanhamento na evolução da capacidade de sentir cheiros após a recuperação da doença e são uma ferramenta importante para o médico prescrever um tratamento precoce, evitando assim sequelas olfatórias graves”, afirma. Fabrizio Romano revela que há vários tratamentos disponíveis para essa alteração “Entre eles estão: o treinamento olfatório, prescrito e acompanhado por um otorrinolaringologista; o uso de medicações com efeito anti-inflamatório, de regeneração neuronal e vasodilatadores; e manobras para diminuir a percepção de odores distorcidos ou a sensação de odores desagradáveis continuamente”, pontua.

O médico ressalta que, antes de definir um método terapêutico, é essencial uma avaliação completa para que o tratamento seja efetivo. “Caso a pessoa tenha perdido o olfato e/ou o paladar e não recuperou mesmo após estar curado da Covid-19, é indicado que ela procure por um otorrinolaringologista, que é o médico especialista responsável por tratar a dificuldade de sentir cheiros e gostos. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maior a chance de sucesso”, finaliza.

*Com informações do Estadão Conteúdo