Câmaras de comércio Brasil-Espanha assinam acordo de internacionalização
São Paulo, 6 mai (EFE).- A Cámara Oficial Española de Comercio en Brasil, com sede em São Paulo; e a Cámara de Comercio Brasil España, que opera em Madri, assinaram nesta terça-feira um acordo de cooperação para a promoção de investimentos e a internacionalização das empresas de ambos os países.
O acordo foi assinado durante o seminário “Internacionalização de empresas brasileiras: Espanha como plataforma de comércio exterior e investimentos” realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
A diretora-executiva da Cámara Oficial Española de Comercio en Brasil, María Luisa Castelo, afirmou à Agência Efe que o acordo, o primeiro assinado entre as duas entidades, prevê “ajuda mútua em eventos de promoção e capacitação”.
“As empresas espanholas sempre estiveram aqui no Brasil, com uma presença muito forte, mas agora é o momento em que as empresas brasileiras têm que olhar e aproveitar à Espanha como porta de acesso para o mercado da União Europeia (UE)”, disse ela.
A executiva destacou que seu país, depois da crise financeira, é agora “mais barato” e “igual em competitividade” para ser aproveitado pelas empresas brasileiras, especialmente as de pequeno e médio portes.
Durante o seminário, que contou com a presença do embaixador espanhol no Brasil, Manuel de la Cámara, e do diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos (DPR) do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), ministro Rodrigo de Azeredo Santos, foram expostas as vantagens oferecidas pela Espanha, agora com “sinais” de recuperação depois da crise.
O presidente da Cámara Oficial Española de Comercio en Brasil e atual presidente da multinacional Telefônica Brasil, Antonio Carlos Valente, lembrou que o cenário espanhol de hoje oferece “uma oportunidade de negócios” e, embora tenha ressaltado os crescentes números em matéria de investimentos, considerou que “ainda há muito por fazer”.
Valente destacou que a organização que preside, fundada em 1955, recebeu, em 2013, mais de mil solicitações de empresas, a maioria pequenas e médias, que consultaram a entidade para pedir assessoria e participaram de mais de 80 eventos de promoção comercial bilateral.
“O peso do coletivo espanhol é forte. A Espanha é o segundo país em investimento acumulado no Brasil, depois dos Estados Unidos, com 65 bilhões de euros desde os anos 90. São 325 mil empregos gerados e isso marca a confiança dos empresários espanhóis”, lembrou o executivo.
Ele acrescentou que as maiores empresas espanholas destinaram a projetos sociais no Brasil 80 milhões de euros, que beneficiaram nos últimos anos mais de um milhão e meio de brasileiros.
Para Valente, o fortalecimento das relações bilaterais parte de “laços econômicos muito fortes, mas também de laços culturais e afetivos”, e citou a imigração espanhola no Brasil entre o final do século XIX e meados do século XX com mais de meio milhão de pessoas que chegaram do país.
Para o triênio 2014-2016, as empresas espanholas esperam investir no Brasil 13 bilhões de euros, ressaltou Valente.
O presidente da Cámara de Comercio Brasil España e executivo do grupo Iberdrola, José Gasset, destacou que a Espanha é “um país de oportunidades” com um “programa bastante completo de reformas”, nos campos fiscal, bancário, financeiro e de previdência social, entre outros.
“Queremos nos aproximar dos empresários de ambos os países e aumentar a participação brasileira na Espanha”, declarou.
A conselheira econômica e comercial da embaixada da Espanha em Brasília, Ana Raquel García, por sua vez, disse que as relações comerciais bilaterais vêm se “diversificado nos últimos anos”, quando o país europeu “tecnicamente saiu da recessão”.
Ela citou como vantagens da Espanha os convênios que o governo espanhol tem com outros países para evitar a dupla tributação e a rede de acordos de promoção e proteção de investimentos, além da mão-de-obra qualificada e a rede de transporte marítimo, ferroviário e terrestre.
“São sistemas de incentivos empresariais para investidores que podem beneficiar até 40% do total dos investimentos”, especificou. EFE
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