Chanceleres da Unasul analisarão canais de diálogo entre EUA e Venezuela

  • Por Agencia EFE
  • 09/02/2015 23h28
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Montevidéu, 9 fev (EFE).- Os chanceleres dos 12 países-membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) analisarão em reunião extraordinária a busca de canais de diálogo entre Estados Unidos e Venezuela para favorecer “a paz e a concórdia”, no marco do “respeito dos Estados” e da não-intervenção.

O ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, que representa seu país na presidência temporária do organismo regional, afirmou nesta segunda-feira à Agência Efe que esse processo deve começar depois do Carnaval, quando se ajustem as agendas dos chanceleres para tratar a situação da Venezuela após as sanções americanas contra funcionários desse país.

Uma comissão da Unasul, formada pelos chanceleres de Brasil, Equador e Venezuela, que contou com a presença do secretário-geral do organismo, Ernesto Samper, propôs hoje em Montevidéu a promoção de um “diálogo direto” entre EUA e Venezuela que possa favorecer a paz e a tranquilidade na região, segundo explicou o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño.

Este encontro fez parte de uma visita de dois dias do secretário-geral da Unasul a Montevidéu.

Assim, Almagro, que não participou da comissão, mas que elogiou a iniciativa de seus colegas, recebeu a proposta de convocar uma reunião extraordinária com os chanceleres dos demais países para informar-lhes do estipulado na reunião de hoje por Samper, Patiño, o brasileiro Mauro Vieira e a venezuelana Delcy Rodríguez.

Este encontro foi realizado poucos dias depois que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu pessoalmente ao representante da Unasul e à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) que estabeleçam um “escudo protetor” ao redor de seu país para “evitar agressões”.

O presidente venezuelano fez o pedido em um discurso durante o ato de celebração do 23º aniversário da tentativa de golpe de Estado liderada pelo falecido presidente Hugo Chávez e reiterou as denúncias sobre a suposta intenção dos EUA de derrubá-lo.

O governo americano de Barack Obama assinou em dezembro de 2014 uma lei aprovada pelo Congresso com sanções contra funcionários venezuelanos considerados responsáveis de violações de direitos humanos nesse país.

Essas sanções incluem o congelamento de ativos e a proibição de emissão de vistos a funcionários do governo venezuelano.

“Serão aplicadas medidas por parte dos EUA que merecem uma reação imediata de Unasul e, por esta razão, nos constituímos nesta reunião e esperamos que nossa ação favoreça à paz, à concórdia e ao diálogo, não somente entre nós como Estados parte de Unasul, mas também evitar que países fora da região possam afetar essa tranquilidade, paz e estabilidade de nossos Estados”, disse Patiño em entrevista coletiva.

De acordo com a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, no encontro de hoje se reiterou “um apoio contundente” e uma “rejeição” à aplicação das medidas unilaterais por parte do governo americano.

“Nós informamos amplamente à comissão de chanceleres e a Samper da posição intervencionista dos EUA destinada a gerar soçobra psicológica na população venezuelana e situações de penúria econômica”, comentou.

Na reunião entre Maduro e Samper, no dia 5 de fevereiro, o presidente venezuelano proporcionou ao secretário da Unasul “dados e informações, algumas delas confidenciais” de “elementos muito preocupantes” e pronunciamentos de porta-vozes do Pentágono e do vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden.

Samper, por sua parte, disse nesse mesmo dia que qualquer tentativa de desestabilização que se produza em uma democracia ou contra um governo contará com a “rejeição unânime” de todos os países da Unasul.

Já em março de 2014, uma missão de chanceleres da Unasul manteve em Caracas conversas com o governo, a oposição e atores econômicos, sociais e religiosos, das quais surgiram uma série de recomendações, entre elas deixar a violência e respeitar os direitos humanos e a ordem democrática, após uma onda de protestos que deixou mais de 40 mortos. EFE

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