Collor critica reforma tributária e diz que Guedes errou ao apresentar proposta fatiada
O ex-presidente Fernando Collor de Melo criticou o plano da reforma tributária apresentado pelo governo nesta semana. Em entrevista ao Pânico, nesta quinta-feira (23), ele disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, errou ao apresentar a proposta fatiada. “Ele apresentou a reforma tributária de forma equivocada, apresentou só um pedacinho após um ano e meio de atraso”, afirmou. “Essa reforma tributária fatiada não vai guardar coerência quando chegar as outras partes, a tendência é prejudicar o setor de serviços”, continuou, dizendo que é “inominável” o projeto de elevar a alíquota do setor para 12%. O senador, no entanto, reconheceu que a reforma será aprovada caso o governo faça uma boa articulação no Congresso. “Temos que ver a capacidade que ele vai ter de fazer aprovar esse programa que ele julga ser o melhor para o país.”
Collor afirmou que Guedes chegou ao governo com uma proposta liberal, focando nas reformas, mas não pode mais seguir por esse caminho por causa da pandemia da Covid-19. “O ajuste de contas não se concilia com a necessidade do Estado brasileiro de fazer frente às necessidades da população que está sofrendo com a pandemia”, explicou. Ele defendeu que o país precisa de uma nova abertura comercial. “Precisamos de um novo programa de produtividade e competitividade para incentivar nossas indústrias a se inovarem”, afirmou, lembrando que seu governo promoveu uma abertura da economia.
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O governo Collor, no entanto, foi marcado pelo plano econômico que culminou com o confisco de poupanças. Isso foi determinante para o impeachment do ex-presidente, no fim de 1992. O político reconheceu que errou com o confisco, mas defendeu o plano. “O programa teve sucesso, mas o pessoal reduz o plano econômico ao bloqueio da poupança”, lamentou. Ele admitiu que se arrepende do confisco. “Não faria de novo, encontraria qualquer outra forma menos essa”, afirmou, mas ressaltando que os outros candidatos também tinham ideias parecidas para o campo econômico. “Não era uma ideia original minha, isso permeava todas as equipes econômicas dos candidatos à presidência da República em 1989”, explicou Fernando Collor.
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