Deputado nega que CPI do MEC busque investigar participação de Bolsonaro em supostas fraudes
A prisão do ex-ministro Milton Ribeiro por participação em suposto esquema de favorecimento a pastores envolvendo recursos do Ministério da Educação amplia a pressão por uma CPI do MEC na Câmara dos Deputados. A avaliação é que a operação da Polícia Federal (PF) e os indícios de corrupção trazem um fato concreto para criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), e aumentam o apoio dos deputados à investigação, com novas assinaturas já sendo registradas. “A chance de ter uma CPI é razoavelmente alta. O fato dele ter sido preso aumenta a chance de CPI, porque temos um fato concreto que mostra a necessidade de ter uma CPI”, afirmou o deputado federal Felipe Rigoni (União-ES).
Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, nesta quinta-feira, 23, o parlamentar avaliou que a pasta da Educação apresenta “dificuldades, ineficiência e incapacidade de gestão e de executar o próprio Orçamento” desde 2019, com o início do governo. No entanto, agora, a crise no MEC é diferente. “É indício real de corrupção. Não me surpreendeu a prisão, mas tem que continuar a investigação e entender se houve o fato. […] A CPI é ferramenta super poderosa que o parlamento tem pra fazer investigação de casos mais aprofundados de corrupção, para isso que serve. É uma ferramenta adicional à PF para garantir que não haja corrupção”, mencionou.
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Felipe Rigoni negou, no entanto, que a comissão tenha objetivo de investigar um possível envolvimento do presidente Jair Bolsonaro no caso. Segundo ele, o foco é “verificar se existem mais atos de corrupção” na pasta. O deputado também considera que é preciso garantir que a CPI tenha “um bom relator e presidente” e que o parlamento se comprometa a não paralisar em nada as votações. Além disso, é necessário ficar atento para que o colegiado não vire “um circo”, como aconteceu, segundo ele, na comissão da Covid-19. “É motivo de se começar uma investigação. O que garante que não existiu mais [casos de corrupção]? Uma CPI existe para isso. Agora, é importante demais o parlamento não deixar isso virar um circo.”
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