Doria visita Rio Tâmisa em Londres e reacende debate da despoluição do Rio Pinheiros
Nesta manhã de quinta-feira (11) eu falo das margens do rio Tâmisa aqui no centro de Londres porque existem muitas lições que São Paulo pode aprender com a história deste rio que já foi declarado morto por conta da poluição. Enquanto o estado mais rico do país tenta mais um projeto para despoluir o Pinheiros e o Tietê, Londres avança com a revitalização do Tâmisa.
O governador João Doria está aqui na capital britânica nesta semana e ontem conheceu um pouco mais sobre este projeto de longo prazo. Doria tem o compromisso de despoluir o Pinheiros até 2022 e concluir a despoluição do Tietê quatro anos mais tarde.
A história do Tâmisa é bem parecida com a dos rios paulistas. Em 1957, o Museu de História Natural aqui de Londres declarou o Tâmisa como morto.
Não havia mais oxigênio na água. Nem peixes. Nem outras formas de vida que não as bactérias. O problema todo estava relacionado ao esgoto lançado diretamente no Tâmisa.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o antigo sistema vitoriano de esgoto da capital britânica foi parcialmente destruído pelos bombardeios alemães. O trabalho de reconstrução da rede de saneamento só recomeçou no final dos anos 1960 e foi crucial para limpar o Tâmisa.
Hoje o rio que corta a cidade abriga mais de 125 espécies de peixes, centenas de focas e botos. O Tâmisa também é usado para o transporte urbano com uma rede de balsas que atingiu 40 milhões de passageiros nos últimos 20 anos.
Mas o rio não está completamente despoluído – todos os anos 39 milhões de toneladas de esgoto são lançadas nestas águas. Por isso, Londres está construindo o chamado de Super Sewer, uma imensa tubulação de esgoto. Um túnel com 25 quilômetros de comprimento e sete metros de diâmetro está sendo escavado nesta parte central do Tâmisa. Essa rede vai coletar o esgoto que o sistema atual de saneamento não consegue lidar, evitando que ele chegue até o rio.
É uma obra complexa, iniciada em 2016 que só deve terminar em 2022. É também uma obra muito cara – estimada no equivalente a 25 bilhões de reais e que está sendo financiada pela iniciativa privada. O governador João Doria visitou ontem a empresa responsável por este projeto e disse que pretende usar algo semelhante em São Paulo.
Os projetos de despoluição dos rios Tietê e Pinheiros existem há décadas. A Sabesp investiu cerca de três bilhões de dólares desde 1992 no Projeto Tietê e afirma que ampliou os índices de coleta de esgoto da Região Metropolitana de São Paulo de 70% para 87%, e do tratamento, de 24% a 70%. Mas quem já passou por São Paulo sabe que o problema ainda está lá.
A empresa paulista de saneamento básico vai investir mais um bilhão e meio em ações para despoluir o rio Pinheiros. E a possibilidade de investimento privado para as obras de coleta do esgoto lançado diretamente no rio, como está sendo feito aqui em Londres, traz uma nova esperança para resolver o problema de São Paulo.
O governador me disse ontem aqui em Londres que, independente de seu futuro político, ele não tem intenção nenhuma de concorrer a um segundo mandato no Palácio dos Bandeirantes.
Então se o projeto de despoluir o Pinheiros até dezembro de 2022 realmente der certo, será uma marca de peso deixada pela administração dele.
Assuntos
continue lendo
Notícias
Lula derrota família Bolsonaro pela segunda vez
Com vantagem no 1º turno, Flávio Bolsonaro recebeu 48%
- Quem é Celina Leão, amiga de Michelle Bolsonaro que foi reeleita governadora do DF Jovem Pan · há 1 semana
- Datafolha: Flávio Bolsonaro é rejeitado por 46%; Lula, por 45% Jovem Pan · há 2 semanas
- ‘Bondades’ anunciadas por Lula em 2026 somam até R$ 178,1 bilhões ao ano Jovem Pan · há 3 semanas
- Trump diz que Groenlândia tem maior reserva de petróleo do mundo e que ela será explorada Estadão Conteúdo · há 3 semanas