Dólar flerta com R$ 5,80 e renova máxima desde maio com Lula e PEC Emergencial

Mercado segue analisando consequência da anulação dos processos do ex-presidente na Lava Jato e tratativas para alterar texto que abre espaço para o auxílio

  • Por Jovem Pan
  • 09/03/2021 18h33
ROBERTO GARDINALLI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDODólar avança após divulgação de alta acima do esperado na inflação dos EUA em abril

O dólar operou sobre forte pressão nesta terça-feira, 9, com o mercado ainda analisando os efeitos que a anulação dos julgamentos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terão no cenário político e econômico, e com o risco da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial sofrer novas desidratações antes de ir ao plenário da Câmara. A moeda americana fechou com alta de 0,33%, a R$ 5,797, a maior cotação desde 15 de maio do ano passado, quando fechou a R$ 5,839. Pela manhã, a divisa chegou a tocar a máxima de R$ 5,874, mas perdeu fôlego depois que o relator da PEC Emergencial na Câmara afirmou que não irá alterar o texto aprovado pelo Senado. O câmbio fechou na segunda-feira, 8, com avanço de 1,66%, a R$ 5,778. Apesar do mau humor doméstico, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, se agarrou ao otimismo internacional e fechou com alta de 0,65%, aos 111.330 pontos. O pregão encerrou a véspera com tombo de 3,98%, aos 110.611 pontos.

O relator da PEC Emergencial na Câmara, deputado Daniel Freitas (PSL-SC), negou que fará mudanças no texto aprovado pelo Senado na quinta-feira passada, 4. “Vamos levar ao plenário da Câmara dos Deputados exatamente o texto que veio do Senado, para então no plenário, se algum deputado ou bancada tiver algo a modificar, que assim seja feito”, afirmou no fim da manhã desta terça-feira, 9, após reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A declaração afasta rumores da pressão do Executivo para alterações que desidratem o efeito de austeridade da medida. Segundo o relator, a PEC  ser votada em dois turnos nesta quarta-feira, 10.

O mercado também analisa os efeitos que a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em anular os processos envolvendo o ex-presidente Lula na operação Lava Jato trará ao ambiente político e econômico. O principal temor dos analistas é que a possibilidade de concorrer com o petista em 2022 leve Bolsonaro a enveredar ao populismo para manter a aprovação política elevada. “Apesar da boa notícia sobre a maior probabilidade da manutenção do texto da PEC Emergencial na Câmara, o aumento das incertezas sobre o cenário político por conta da decisão do ministro do STF, Luiz Edson Fachin, de anular as condenações de Lula no âmbito da Lava Jato, segue tirando o apetite por risco dos investidores”, afirma Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.