Dólar sobe 5,5% em janeiro pressionado pela pandemia e risco de descontrole fiscal

Moeda norte-americana encerra o mês a R$ 5,47; cenário adverso faz Ibovespa recuar para os 115 mil pontos após renovar máximas histórica por dois dias seguidos

  • Por Jovem Pan
  • 29/01/2021 18h48
Adriana Toffetti/Estadão ConteúdoDólar recua após decisão do Fed em manter taxa de juros entre 0% e 0,25%

O mau humor global com o avanço da pandemia do novo coronavírus e as apreensões domésticas com o risco fiscal, imbróglios para a vacinação em massa e indefinições políticas impulsionaram o dólar para alta de 5,5% em janeiro. A divisa norte-americana fechou esta sexta-feira, 29, cotada a R$ 5,474, após avançar 0,71%. A moeda chegou a bater a máxima de R$ 5,505, enquanto a mínima não baixou de R$ 5,422. O cenário pessimista também tolheu os lucros na Bolsa de Valores brasileira após um início bastante promissor. O Ibovespa, principal índice da B3, rompeu a barreira das 125 mil pontos no dia 8 de janeiro e renovou a máxima histórica pelo segundo dia consecutivo. O entusiasmo, no entanto, logo deu lugar à frustração com os pregões seguidos no vermelho. No placar de janeiro, o Ibovespa fechou 12 dias em queda, ante sete pregões positivos. O índice da Bolsa encerrou o último pregão do mês com recuo de 3,21%, aos 115.067 pontos.

O mês foi marcado pelo recrudescimento da Covid-19 em diversos pontos do mundo após a disseminação de diferentes tipos da Sars-CoV-2. A mutação do vírus causador da pior pandemia dos últimos cem anos forçou novamente o fechamento de fronteiras e a imposição de medidas de isolamento social mais rígidas. No Brasil, o novo surto ficou escancarado com o colapso do sistema público de saúde e Manaus e a morte de pacientes por falta de cilindros de oxigênio. A autorização por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial da CoronaVac e da vacina de Oxford trouxe um lampejo de otimismo. Porém, dias depois, uma série de entraves entre autoridades do Brasil e da China barrou a importação de imunizantes para a produção das vacinas em território nacional. A expectativa é que a matéria-prima desembarque no país no dia 3 de fevereiro.

Ainda na pauta doméstica, o Banco Central anunciou a manutenção da Selic a 2% ao ano, porém derrubou a regra de juros baixo que guiou o Comitê de Política Monetária (Copom) desde agosto passado. Apesar da autoridade monetária afirmar que a queda do foaward guidance não representa o aumento imediato da taxa de juros, o mercado espera o início do movimento para cima ainda neste semestre. Também pesou no humor dos investidores as tratativas para o retorno do auxílio emergencial. O Ministério da Economia se posiciona contra, mas o recrudescimento da pandemia e a adoção de medidas de isolamento social mais severas pressionam o governo para a retomada dos benefícios. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira mostraram que o governo teve déficit de 743 bilhões no ano passado por conta de medidas para mitigar os efeitos do novo coronavírus. Continuando no cenário político, deputados e senadores escolhem nesta segunda-feira, 1, o comando do Congresso para os próximos dois anos. Além da direção das casas, a definição dos líderes pode ser fundamental para a abertura de um possível processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), aumentando ainda mais o risco brasileiro. A intensificação dos rumores da greve dos caminhoneiros a partir de segunda-feira, 1, também pressionou o bom humor do mercado no fim do mês. Diferentes entidades já manifestaram apoio ao movimento paradista, que, segundo organizadores, pode agregar 2 milhões de motoristas em todas as regiões do país. O governo busca demover os manifestantes. Nesta quarta-feira, o presidente fez um apelo para que a greve seja suspensa e afirmou que a equipe econômica estuda a isenção de impostos federais para o barateamento do diesel, uma das principais pautas dos grevistas.