Dólar sobe com antecipação de alta dos juros nos EUA; Ibovespa recua

Depois de ser cotado a R$ 4,99 pela primeira vez em mais de um ano, câmbio inverte o sinal e fecha a R$ 5,06; Bolsa volta aos 129 mil pontos

  • Por Jovem Pan
  • 16/06/2021 17h36
Arquivo/Agência BrasilDólar opera em alta e volta ao patamar de R$ 5 com turbulências políticas e temor internacional

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam esta quarta-feira, 16, no campo negativo após o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, anunciar que fará mudanças na taxa de juros em 2023, um ano antes do projetado em março. A autoridade monetária afirmou que manterá os juros entre 0% e 0,25% até o fim do próximo ano, além de continuar a compra de US$ 120 bilhões por mês em títulos públicos. Investidores seguem à espera da decisão dos juros no Brasil, que será divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a partir das 18h30. Depois de ir para baixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de um ano, o dólar inverteu o sinal e fechou com alta de 0,34%, cotado a R$ 5,060. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,082, enquanto a mínima não passou de R$ 4,994. A moeda norte-americana encerrou a véspera com queda de 0,55%, cotada a R$ 5,043. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, fechou com queda de 0,64%, aos 129.259 pontos. O pregão desta terça-feira, 15, fechou com baixa de 0,09%, aos 130.091 pontos.

Mercados em todo o mundo reagiram de forma negativa ao discurso do Fed em antecipar o corte de estímulos monetários para 2023, ante previsão de mudanças apenas em 2024. A revisão da inflação, de 2,4% em março para 3,4%, também pressionou o humor dos investidores pela possível redução de dólares nos mercados internacionais. Na pauta doméstica, as atenções se voltam para o tamanho do estímulo que o Banco Central vai aplicar na taxa de juros e o recado sobre os rumos da política monetária. A expectativa é pela alteração da Selic, atualmente em 3,5% ao ano, para algo entre 4,25% e 4,5%. Desde a última reunião do Copom, em maio, é esperada nova alta de 0,75 ponto percentual. Porém, a disparada da inflação, que foi a 8,06% nos 12 meses acumulados em maio, gera expectativa de uma ação mais incisiva, de 1 ponto percentual. O avanço dos juros deve seguir até o fim do ano. A projeção do mercado é que a Selic encerre 2021 a 6,25%, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 14.