Dólar vai a R$ 5,41 com auxílio no radar; Ibovespa retoma os 120 mil pontos

Investidores seguem acompanhando negociações entre governo federal e Congresso para a volta do benefício em março

  • Por Jovem Pan
  • 17/02/2021 18h25 - Atualizado em 17/02/2021 19h21
ROBERTO GARDINALLI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDODólar opera sem direção definida com investidores analisando o noticiário internacional e a troca de ministros em Brasília

A reabertura dos mercados após o recesso de Carnaval veio com as mesmas tensões que pressionaram os investidores na semana passada, principalmente os entraves para a retomada do auxílio emergencial e a aprovação de medidas de austeridade cobradas pelo governo federal. O dólar começou a semana com alta de 0,76%, a R$ 5,415. A divisa chegou a bater máxima de R$ 5,432, enquanto a mínima não passou de R$ 5,390. Na sexta-feira, 12, a moeda norte-americana encerrou a R$ 5,374 e acumulou queda de 0,16% na semana. Desde o começo de fevereiro, o dólar caiu 1,82%, mas soma valorização de 3,58% em 2021. Apesar da pressão doméstica, a Bolsa de Valores manteve o bom desempenho, impulsionada pela alta de 14% na Embraer, que publicou resultados positivos na semana passada, e 3,5% da Petrobras. O cenário levou o Ibovespa, o principal índice da B3, para 120.355, com alta de 0,78%. É a primeira vez que o dia fecha acima dos 120 mil pontos desde 5 de fevereiro. Na semana passada, o pregão fechou com avanço de 0,11%, aos 119.428 pontos. “A alta do petróleo refletindo a nevasca que atinge o estado do Texas, que é um dos maiores produtores dos EUA, impulsiona as ações da Petrobras. Ainda na ponta positiva, as ações ligadas às commodities metálicas sobem diante do resultado acima do esperado pela Rio Tinto e perspectivas da empresa que o preço do minério de ferro seguirá firme ao longo deste ano”, afirma Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Apesar dos desdobramentos da prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) concentrarem todas as atenções em Brasília, investidores mantém os olhos nas negociações entre o governo federal e o Congresso para a retomada do auxílio emergencial. O Ministério da Economia deve apresentar a sua proposta aos parlamentares ainda nesta semana para pagar a primeira parcela do benefício em março. Para minimizar as chances de mudanças bruscas ou até a rejeição da proposta, o governo vai levar o texto primeiro aos líderes do Congresso entre esta quinta e sexta-feira. A União trabalha com um orçamento estimado em R$ 30 bilhões, o suficiente para estender o pagamento de R$ 250 para aproximadamente 30 milhões de brasileiros por quatro meses. Enquanto discutem os pareceres técnicos, membros do governo federal buscam consenso com o Congresso para a aprovação de contrapartidas que limitem os gastos públicos. Depois de ceder à pressão do Legislativo para novas rodadas do benefício, o ministro da Economia, Paulo Guedes, condicionou o retorno à criação da cláusula de calamidade pública na PEC do Pacto Federativo. A medida tira amarras do orçamento público e cria gatilhos para evitar o aumento dos gastos, como reajustes salariais e contratação de funcionários públicos.