Governo revisa estimativa do PIB para 5,3% em 2021 e vê inflação estourar o teto da meta

Dados do Boletim Macrofiscal mostram maior otimismo com a recuperação da economia após resultados positivos no primeiro trimestre; expectativa para o IPCA vai a 5,9%

  • Por Jovem Pan
  • 14/07/2021 10h03 - Atualizado em 14/07/2021 20h28
Washington Costa/Ministério da EconomiaNovo projeto foi desenhado pela equipe econômica e já foi encaminhado à Casa Civil

O governo federal revisou para cima as previsões para a expansão da economia brasileira e da inflação em 2021, segundo dados do Boletim Macrofiscal divulgados nesta quarta-feira, 14, pela Secretaria de Política Econômica (SPE). A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 3,5% para 5,3%. Para o ano que vem, a equipe econômica elevou levemente a previsão para 2,51%, ante 2,5% no relatório publicado em maio. A expectativa para 2023 se manteve em 2,5%. A alta foi justificada pelos resultados positivos registrados no primeiro trimestre, quando a economia avançou de 1,2%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o segundo trimestre, o governo federal estima que o PIB cresça 0,25%. Apesar do tom mais otimista, a equipe econômica ressaltou que o cenário continua incerto por causa da pandemia do novo coronavírus e a recente crise energética. “Dessa forma, as projeções da atividade para este e para os próximos anos tornam-se particularmente sensíveis à divulgação dos dados e ao desenrolar dos efeitos da Covid-19 e do processo de vacinação, principalmente considerando os seus efeitos no PIB de longo prazo. O cenário do setor energético também é outro componente de ampliação da imprevisibilidade.” O mercado financeiro revisou o avanço do PIB para 5,26%, ante 5,18% estimada na semana passada, segundo dados do Boletim Focus publicados nesta segunda-feira, 12. A previsão para 2022 foi alterada levemente, passando de 2,1% para 2,09%. Em junho, o Banco Central elevou a expectativa para o crescimento da economia a 4,6%, contra previsão de 3,6% em março.

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação brasileira, o Ministério da Economia projeta avanço de 5,9% em 2021. No Boletim Macrofiscal divulgado em maio, a previsão era de 5,05%. O número está acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 5,25%, com centro de 3,75% e piso de 2,25%. Para 2022, a equipe econômica estima que a inflação encerrará em 3,5%. A SPE apontou o forte avanço dos preços monitorados para o estouro do teto da meta. “No acumulado em 12 meses até junho, esse grupo registrou aumento de 13,0%. Esse aumento é decorrente de elevações significativas nos preços dos combustíveis e energia elétrica, diante das alterações nas bandeiras tarifárias”, informou. O mercado financeiro alterou a previsão do IPCA pela 14ª semana seguida e passou a ver a inflação a 6,11% ao fim de 2021. O índice foi a 8,35% nos 12 meses encerrados em junho, quando registrou alta de 0,53%. O Banco Central já abandonou a expectativa de fechar 2021 abaixo do teto da meta. A estimativa publicada no relatório da inflação do segundo trimestre apontou para avanço de 5,8% diante do encarecimento das commodities e da recente pressão da energia elétrica. Segundo o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, a inflação se disseminou pela cadeia econômica, mas as pressões ainda possuem natureza temporária. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), visto como a inflação dos mais pobres e referência para reajustes do salário mínimo e benefícios do INSS, avançou de 5,05% para 6,2%.