Mercado cresce expectativa do PIB para 3,49% em 2021; inflação sobe para 3,50%

Dados do Boletim Focus vão na contramão da revisão para baixo do crescimento econômico diante do aumento da pandemia e dificuldades com vacinação; expectativa com IPCA sobe pela 3ª semana seguida

  • Por Jovem Pan
  • 25/01/2021 12h38
LUIDGI CARVALHO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOInflação de 4,5% em 2020 foi puxada principalmente pelo encarecimento dos alimentos

O mercado revisou a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 3,49% em 2021, ante projeção de 3,45% há uma semana, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 25. O número vai contra parte dos analistas do mercado, que já começam a revisar para baixo o desempenho da economia brasileira neste ano diante dos desafios não previstos com o aumento da pandemia do novo coronavírus e os entraves para a produção de imunizantes no território nacional. A nova estimativa para o PIB é a mesma publicada no Boletim Focus há um mês. Os economistas e entidades ouvidos pelo Banco Central também revisaram a inflação para 3,50% ao fim deste ano, na terceira semana seguida de mudança. No relatório da semana passada, o Índice de Preços aos Consumido Amplo (IPCA) para 2021 era previsto a 3,43%, enquanto há um mês estava em 3,34%. O novo valor se aproxima do centro da meta de 3,75% perseguida pela autoridade monetária nacional, com margem para flutuar entre 2,25% e 5,25%. A inflação encerrou o ano de 2020 a 4,52% — acima das expectativas do mercado —, puxada principalmente pelo encarecimento dos alimentos. A meta para o Banco Central no ano passado era de 4%, com variação de 2,5% e 5,5%.

A taxa de juros básica da economia brasileira também sofreu nova revisão, passando para 3,5%. Há uma semana, o Boletim Focus trazia a expectativa de 3,25%, ante 3,3% há um mês. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic a 2% ao ano na primeira reunião de 2021, decisão já esperada pelo mercado financeiro. A novidade foi a retirada do foward guidance, como foi classificada a política de não aumentar juros. Em nota, os técnicos do BC afirmaram que as condições para a manutenção da Selic rebaixada já foram cumpridas. O recado, porém, enfatizou que a derrubada da medida não significa o aumento automático da Selic nos próximos encontros. Analistas do mercado preveem que a taxa básica de juros comece a sofrer alterações a partir de agosto. A próxima reunião do Copom será entre os dias 16 e 17 de março. O Boletim Focus desta semana ainda manteve a previsão pra o dólar a R$ 5 no fim de 2021, a mesma expectativa das últimas cinco semanas. A moeda norta-americana era negociada a R$ 5,562, com avanço de 0,87%, no fim da manhã desta segunda. Na semana passada, a divisa fechou a 5,479, com avanço de 2,14%.