Mercado vê PIB mais fraco e renova avanços para a inflação e dólar em 2021

Analistas ouvidos pelo Banco Central estimam avanço de 3,82% do IPCA e 4% na taxa básica de juros; projeção para recuperação da economia cai para 3,29%

  • Por Jovem Pan
  • 22/02/2021 12h36 - Atualizado em 22/02/2021 15h58
Bruno Rocha/Foto Arena/Estadão Conteúdo Analistas consultados pelo Banco Central renovaram as previsões para a recuperação da economia em 2021

O mercado financeiro adotou tom mais pessimista para a economia brasileira ao reduzir a projeção do Produto Interno Bruto (PIB), e revisar para cima as expectativas para o dólar, inflação e taxa Selic em 2021. Segundo números divulgados pelo Boletim Focus nesta segunda-feira, 22, economistas e entidades consultadas pelo Banco Central estimam que a atividade econômica cresça 3,29% neste ano, ante projeção de 3,43% na semana passada, e 3,49% há um mês. O valor está abaixo do divulgado pelo Ministério da Economia, que espera avanço de 3,5% do PIB neste ano. Ao mesmo tempo, as fontes da autoridade monetária enxergam espaço para maior pressão inflacionária. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, é de 3,82%. Essa é a sétima revisão de alta seguida. Na publicação anterior, a previsão era de 3,62%, enquanto há um mês registrava alta de 3,5%. O novo valor está acima do centro da meta de 3,75% perseguida pela autoridade monetária nacional, com margem para flutuar entre 2,25% e 5,25%. A inflação encerrou o ano de 2020 a 4,52% — acima das expectativas do mercado —, puxada principalmente pelo encarecimento dos alimentos. A meta para o Banco Central no ano passado era de 4%, com variação de 2,50% e 5,50%.

O Boletim Focus também revela nova alta da Selic, o principal instrumento do Banco Central para o controle da inflação. A expectativa é que a taxa básica de juros da economia brasileira encerre o ano a 4%, acima dos 3,75% previstos há uma semana, e 3,5% há um mês. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic a 2% ao ano na primeira reunião de 2021, decisão já esperada pelo mercado financeiro. A novidade foi a retirada do foward guidance, como foi classificada a política de não aumentar juros. Em nota, os técnicos do BC afirmaram que as condições para a manutenção da Selic rebaixada já foram cumpridas. O recado, porém, enfatizou que a derrubada da medida não significa o aumento automático da Selic nos próximos encontros. Analistas do mercado preveem que a taxa básica de juros comece a sofrer alterações da próxima reunião do colegiado, entre os dias 16 e 17 de março. As fontes ouvidas pelo Banco Central também se mostram mais cautelosas com o câmbio. O Boletim Focus mostra previsão de avanço para R$ 5,05 em 2021, ante estimativa de R$ 5,01 na semana passada, e R$ 5 há um mês.