MPT investiga Caixa por rebaixar funcionários que impediram negócio com Master
Três gestores da Caixa Asset, braço de investimento da estatal, foram contra a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras antes da liquidação do banco de Vorcaro
O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou inquérito contra a Caixa Econômica Federal para apurar o rebaixamento de três funcionários da Caixa Asset, braço de investimento da estatal. Segundo o processo, os gestores Leonardo Silva, Mariangela Fraga e Daniel Gracio teriam sido tirados de suas funções depois de se posicionarem contra a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master, em 2024.
Em nota enviada à Jovem Pan, a Caixa disse que o braço de investimento “tem absoluta autonomia e governança para tomar decisões”. A estatal ainda acrescentou que “não faz parte da política de recursos humanos da empresa punir ou retaliar seus empregados”. Segundo o banco, “eventuais substituições ou remanejamento” são feitas sob “critério exclusivamente profissional”. Leia a íntegra abaixo.
Em notificação enviada à estatal, o MPT cobrou explicações sobre a denúncia dos funcionários, o envio de cópia do processo administrativo que retirou Leonardo, Mariangela e Daniel de suas funções e eventuais comunicações feitas por eles internamente sobre o ocorrido, além de informar a “situação funcional atual” dos trabalhadores. O órgão também determinou que a estatal apresentasse “cópia de eventual processo de apuração” acerca da fala do presidente da Caixa, Carlos Vieira, sobre “não ser razoável” transformar o caso entre a Caixa Asset e o Banco Master em “uma questão midiática”.
Em 27 de novembro de 2025, durante apresentação do balanço trimestral, o presidente da estatal foi questionado sobre o episódio. Na ocasião, Vieira disse ainda que a tentativa de negócio com o Master já havia sido discutida com o Tribunal de Contas da União (TCU).
No mês anterior, em outubro de 2025, o ex-diretor da Caixa Asset Igor Macedo Laino foi multado pela Corte em R$ 10 mil por tentar aprovar a compra das letras financeiras do Master. À época, o relator do processo no TCU, Antonio Anastasia, entendeu que “informações relevantes” sobre a instituição financeira de Daniel Vorcaro foram omitidas a fim de “enviesar a tomada de decisão”.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.
Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o TCU, bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.
Leia a íntegra da nota da Caixa
“A Caixa Asset é uma das quatro empresas que fazem parte do conglomerado do banco. E, como tal, tem absoluta autonomia e governança para tomar decisões técnicas, judiciais e administrativas”.
“A Caixa Asset realiza, periodicamente, avaliações técnicas e de desempenho do seu time de gestores. Não faz parte da política de recursos humanos da empresa punir ou retaliar seus empregados. Eventuais substituições ou remanejamentos se dão com critério exclusivamente profissional”.



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