MPT investiga Caixa por rebaixar funcionários que impediram negócio com Master

Três gestores da Caixa Asset, braço de investimento da estatal, foram contra a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras antes da liquidação do banco de Vorcaro

  • Por Júlia Mano
  • 18/03/2026 21h21 - Atualizado em 18/03/2026 22h44
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Marcelo Camargo/Agência Brasil Edifício sede da Caixa Econômica Federal O MPT cobrou explicações da Caixa sobre a denúncia dos funcionários e envio de documentos

O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou inquérito contra a Caixa Econômica Federal para apurar o rebaixamento de três funcionários da Caixa Asset, braço de investimento da estatal. Segundo o processo, os gestores Leonardo Silva, Mariangela Fraga e Daniel Gracio teriam sido tirados de suas funções depois de se posicionarem contra a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master, em 2024.

Procurada pela Jovem Pan, a Caixa Econômica Federal não respondeu ao contato até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

Em notificação enviada à estatal, o MPT cobrou explicações sobre a denúncia dos funcionários, o envio de cópia do processo administrativo que retirou Leonardo, Mariangela e Daniel de suas funções e eventuais comunicações feitas por eles internamente sobre o ocorrido, além de informar a “situação funcional atual” dos trabalhadores. O órgão também determinou que a estatal apresentasse “cópia de eventual processo de apuração” acerca da fala do presidente da Caixa, Carlos Vieira, sobre “não ser razoável” transformar o caso entre a Caixa Asset e o Banco Master em “uma questão midiática”.

Em 27 de novembro de 2025, durante apresentação do balanço trimestral, o presidente da estatal foi questionado sobre o episódio. Na ocasião, Vieira disse ainda que a tentativa de negócio com o Master já havia sido discutida com o Tribunal de Contas da União (TCU).

No mês anterior, em outubro de 2025, o ex-diretor da Caixa Asset Igor Macedo Laino foi multado pela Corte em R$ 10 mil por tentar aprovar a compra das letras financeiras do Master. À época, o relator do processo no TCU, Antonio Anastasia, entendeu que “informações relevantes” sobre a instituição financeira de Daniel Vorcaro foram omitidas a fim de “enviesar a tomada de decisão”.

Entenda o caso Master

Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.

O processo de liquidação foi acompanhado da Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.

Segundo as investigações, a instituição financeira de Vorcaro oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.

Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o TCU, bem como com o Banco Central e a PF.

Em 17 de janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.

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