Não vai sobrar 20% do setor se restrições continuarem, diz associação de bares e restaurantes de SP

Entidade afirma que governo erra ao passar responsabilidade do aumento de infecções para o segmento; restrição ao funcionamento de serviços não essenciais inicia nesta segunda-feira, 25

  • Por Jovem Pan
  • 22/01/2021 15h50
Wilton Júnior/Estadão ConteúdoSetor de bares e restaurantes foi um dos mais impactados pelas medidas de isolamento social

O endurecimento das restrições para o funcionamento bares e restaurantes no estado de São Paulo, anunciado nesta sexta-feira, 22, pelo governador João Doria (PSDB), aumenta a pressão sobre um dos setores mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Dados da representação paulista da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apontam que o prolongamento das medidas de isolamento social irá dizimar 80% dos estabelecimentos. A conta já leva em consideração o fechamento de aproximadamente 30% de empreendimentos no ano de 2020. “Não vai sobrar 20% do setor se isso durar mais três meses”, afirma Percival Maricato, presidente da Abrasel em São Paulo. O governo do estado anunciou a reclassificação de todas as regiões para a Fase 1 – Vermelha do Plano São Paulo, com medidas mais rígidas de isolamento, todos os dias após às 20h até as 6h. A medida também vale para os finais de semana e feriados. O novo regime proíbe o atendimento presencial em bares e restaurantes, além de todos os outros serviços que não são considerados essenciais. As regras valem a partir desta segunda-feira, 25, e foram decretadas após a disparada nos números de internações e óbitos por causa da Covid-19.

A capital paulista possui cerca de 50 mil estabelecimentos, com 100 mil empresários e 250 mil trabalhadores. Segundo números da entidade, o setor encolheu 30% desde o início das medidas de restrição, em março de 2020. “Agora era a hora de estabilizar os funcionários, pagar os descontos que os proprietários dos imóveis deram no ano passado, quitar os empréstimos bancários”, afirma Maricato. O representante do segmento diz que o governo erra ao colocar a responsabilidade da disparada dos casos no funcionamento nos estabelecimentos. “Quando fecham restaurantes, as pessoa vão comer no fundo das lojas, nas praças. Quando fecham os bares, elas fazem festas clandestinas. É um grande equivoco, e o governo não consegue falar com a maior parte da população.” Na manhã desta sexta, um grupo de aproximadamente 150 chefs, empresários e trabalhadores do setor protestaram em frente ao Palácio dos Bandeirantes, a sede do governo paulista, contra o início das restrições já nesta sexta-feira, 22.

O estado de São Paulo tem, nesta sexta-feira, 1.679.759 casos de Covid-19 e 51.192 óbitos pela doença. A taxa de ocupação dos leitos de UTI está em 71,1% no Estado e 71,6% na Grande São Paulo. Em relação ao número de internados, 6.044 estão em UTI e 7.659 em enfermaria — entre confirmados e suspeitos. Nas últimas quatro semanas, o número de casos aumentou 79%, o de internações 25% e de óbitos 96%. Respectivamente, esses indicadores são equivalentes aos números da pandemia em agosto, julho e junho de 2020.