Petrobras sinaliza aumento no valor dos combustíveis e diz que não vai mudar política de preços

Estatal justifica encarecimento do barril de petróleo no mercado internacional para novo reajuste; associação de importadores afirma que gasolina é comercializada com defasagem de 10% no país

  • Por Jovem Pan
  • 27/09/2021 18h17 - Atualizado em 27/09/2021 20h39
Marcelo Camargo/Agência BrasilPetrobras sinaliza novo reajuste dos preços em meio ao encarecimento do petróleo no mercado internacional

A Petrobras afirmou nesta segunda-feira, 27, que os combustíveis devem passar por um novo reajuste para cima nos próximos dias pela defasagem em comparação ao mercado internacional. Sem citar datas, o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, disse que a manutenção do valor do barril de petróleo tipo brent — usado como referência para a Petrobras — acima de US$ 70 força o aumento dos preços domésticos. “Acompanhamos o dia a dia desses movimentos, a permanência ou não de uma situação. Vemos o preço do brent se posicionar em um valor elevado, e está sinalizando realmente para a necessidade de reajuste do preço”, afirmou. A última alteração foi anunciada em julho, com o aumento dos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha nas refinarias. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o valor da gasolina no mercado doméstico está 10% defasado, enquanto o óleo diesel acumula diferença de 14%. A Petrobras afirma que evita passar aos consumidores os aumentos causados pela volatilidade diária e que pauta as mudanças de preços conforme as expectativas do mercado. “Não tomamos a decisão baseados em como está instantaneamente a defasagem do preço, mas sim a expectativa de manutenção ou evolução dela”, disse o diretor de comercialização e logística, Claudio Mastella.

O presidente da estatal reiterou que a Petrobras não irá alterar a sua política de preços. Desde 2016, o cálculo é baseado na paridade internacional da cotação do barril de petróleo. “Não há mudança na política de preços. Continuaremos trabalhando da forma que sempre fizemos”, afirmou Silva e Luna. A sinalização de reajuste ocorreu horas depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que busca meios de tornar os combustíveis mais baratos. Em evento na manhã desta segunda-feira, o chefe do Executivo disse que debateu a questão com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. “Temos muitos obstáculos. São intransponíveis? Não, mas depende do entendimento de cada um. Alguém acha que eu não queria a gasolina a R$ 4 ou menos? O dólar a R$ 4,50 ou menos? Não é maldade da nossa parte, é uma realidade. E tem um ditado que diz ‘nada não está tão ruim que não possa piorar’. Nós não queremos isso porque temos um coração aberto”, afirmou.

preço médio da gasolina comum registrou nova alta na semana passada e segue acima da marca de R$ 6. Os dados foram obtidos por um levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizado entre os dias 19 e 25 de setembro. Segundo a ANP, o preço médio do combustível no Brasil chegou a R$ 6,092, mostrando um pequeno aumento em relação à última semana, quando o valor médio era de R$ 6,076. Além disso, o levantamento mais recente também mostrou que o preço máximo registrado pela ANP foi de R$ 7,236, encontrado no Rio Grande do Sul. Por outro lado, o Estado que registrou o menor preço mínimo foi São Paulo, com o litro do combustível sendo vendido a R$ 5,049. O preço médio do etanol também registrou alta e foi para R$ 4,715, enquanto o diesel registrou um pequeno recuo, indo para R$ 4,707. O aumento dos combustíveis é uma das principais forças que puxam a inflação para cima. A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi a 1,14% em setembro — o maior valor desde 1994 —, e acumulou alta de 10,05% nos últimos 12 meses. O segmento registrou alta de 3%, liderada pelo encarecimento de 4,5% do etanol. A gasolina aumentou 2% — com acumulado de 39% nos últimos 12 meses —, enquanto o GNV encareceu 2%, e o diesel aumentou 1,6%.