Farc pedem criação dea comissão para formular validação de acordo de paz
Havana, 16 set (EFE).- As Farc afirmaram nesta quarta-feira que propuseram ao Estado colombiano a criação de uma comissão de acompanhamento para “combinar pontos de vista” no projeto de uma fórmula de validação dos acordos de paz de Havana, implementação que, segundo afirmam, não preocupa “só ao governo”.
“Com relação ao projeto de validação, o governo já tem conhecimento de nossa proposta de criar uma Comissão de Acompanhamento para o Desenvolvimento Normativo dos Acordos”, disse a guerrilha em um texto lido em Havana pelo negociador do grupo armado “Carlos Antonio Lozada”, conhecido como de Luis Antonio Losada.
As Farc asseguram ter apresentado “suficientes iniciativas” encaminhadas a garantir a “bilateralidade” e os “compromissos mútuos” na construção de ferramentas legais para o cumprimento dos futuros convênios, que incluem “uma proposta de máxima participação cidadã em uma Assembleia Constituinte”.
“A implementação, verificação, a validação” dos acordos de paz “não são assuntos que preocupam só ao governo”, disse a guerrilha.
Estas declarações ocorrem após o anúncio ontem de Santos sobre a apresentação ao Congresso de um projeto legislativo para facilitar a rápida implementação dos eventuais acordos de paz com a insurgência.
Sobre o projeto, o presidente colombiano recalcou que “nada tem a ver” com a validação dos convênios de paz, que “seria estipulada com as Farc”.
Por sua vez, os negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) declararam que ficaram “surpresos com a notícia” e disse que isso mostra a “intenção de definir unilateralmente os contornos da negociação”.
Esta posição -acrescentaram- “dificulta e vai ao contrário” dos esforços para reduzir o conflito na Colômbia e “agilizar” as conversas em Havana, sede permanente dos diálogos de paz desde novembro de 2012.
“Em uma conversa de paz, a unilateralidade e a imposição, são os atalhos que não devessem ser tomados, porque conduzem ao fracasso”, insistiram as Farc, que no entanto disseram que o processo “segue um bom caminho”.
A guerrilha antecipou que além do tema da validação de convênios, ainda fica pendente fechar o ponto “final de conflito” de maneira “simultânea e integral”. EFE
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